CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de outubro de 2025
Publicado em 09/10/2025 às 10:10

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O sol de Aracaju acordou curioso. Queria espiar a nova maquiagem do Parque Augusto Franco — ou melhor, o Parque da Sementeira, esse velho amigo da cidade que resolveu passar uns dias no spa da Prefeitura. Está fechado até sexta, coitado, para a tal “revitalização”.
Dizem que vai ganhar brinquedos novos, academias ao ar livre e um espaço pet. Parece que os humanos cansaram de brincar e resolveram dar vez aos cachorros, que, convenhamos, sempre foram mais sinceros e leais do que boa parte dos frequentadores.

O parque, vaidoso, aceitou o bisturi das obras: “Me arrumem as calçadas, penteiem os canteiros, troquem minhas folhas mortas por selfies vivas!” – sussurrou o verde cansado. Enquanto isso, os passarinhos, expulsos temporariamente, montaram acampamento nas praças vizinhas, reclamando que a “natureza está virando condomínio fechado”.

Ah, o progresso! Esse cirurgião estético das paisagens, que promete embelezar mas às vezes esquece que o perfume do mato não se compra em loja de equipamentos urbanos.

Enquanto o parque faz lifting, o governo anda atrás de quem faz “drink lifting”. A Secretaria Nacional do Consumidor notificou as plataformas que vendem ingredientes suspeitos — os alquimistas modernos que transformam etanol em veneno e chamam de diversão líquida.
É a nova moda da insanidade: adulterar bebidas como quem tempera o próprio caos. O metanol, esse demônio invisível, virou o vilão de copo cheio. E o Estado, cambaleante, tenta erguer a moral enquanto o povo tropeça nas tentações do barato que sai caro — ou do trago que sai fatal.

O comércio virtual, esse universo paralelo onde tudo se compra menos juízo, agora será vigiado. Talvez falte uma notificação celestial — dessas que aparecem na consciência: “Aviso: sua humanidade está com baixa resolução.”

E lá no Oriente, onde o deserto sussurra orações antigas e os deuses se cansaram de tanto escutar promessas de paz, Israel e Hamas decidiram, finalmente, colocar um ponto e vírgula na guerra.
Um acordo.
Três sílabas que pesam toneladas.

Dizem que o plano de paz foi firmado. Mas a paz, essa senhora de vestido branco e pés descalços, ainda hesita em atravessar as ruínas — teme tropeçar nas pedras da desconfiança e manchar a barra do vestido com sangue seco.

Enquanto o mundo aplaude, o vento do deserto sussurra: “Veremos quanto tempo dura o silêncio antes que o próximo míssil grite novamente.”

O dia 8 de outubro de 2025 amanheceu assim: com parques fechados, bebidas suspeitas e um tratado de paz que tenta nascer em terreno minado.
É a humanidade no espelho — retocando a maquiagem, limpando os copos, assinando promessas.
A cidade se pinta de verde, o governo finge ser babá do bom senso, e o Oriente suspira cansado.

Mas no fundo, todos esperamos o mesmo:
Que o parque reabra com mais flores,
que o copo volte a brindar a vida,
e que o mundo, esse parque gigante e malcuidado,
passe, enfim, por uma revitalização —
não de calçadas e academias,
mas de alma.