CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de outubro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 07 de outubro de 2025
Publicado em 08/10/2025 às 15:10

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O céu de Aracaju resolveu brincar de Jenga com os prédios. Uma antena, cansada da solidão no topo do edifício, decidiu descer para conversar com os mortais — despencou com a elegância trágica de quem perdeu o equilíbrio entre as nuvens e os fios de cobre. Ficou pendurada, feito promessa não cumprida, balançando ao vento como se sussurrasse: “olhem pra cima, às vezes o perigo vem do alto”. O Corpo de Bombeiros chegou como anjos de capacete, serras e coragem. A rua virou palco, a garagem virou ruína, e a noite inteira foi um espetáculo de faíscas e paciência. Nenhum ferido, apenas o susto — e o medo, esse visitante insistente.

Enquanto isso, no planalto das promessas, Alcolumbre decidiu entregar o bastão dourado da isenção do Imposto de Renda a Renan Calheiros. Sim, o mesmo Renan, velho gladiador das planilhas, que sobrevive a governos como cacto no sertão: entre espinhos e tempestades, continua verde. Agora, ele relatará o sonho popular da isenção até R$ 5 mil mensais. O povo sorri, desconfiado, imaginando se esse alívio fiscal não vem com juros de ilusão. No palco do Senado, as palavras voam mais leves que o dinheiro esquecido nos bancos — e mais raras também.

Falando em dinheiro esquecido, o Banco Central soprou: há R$ 10,4 bilhões dormindo em cofres esquecidos, espalhados entre 48 milhões de almas distraídas. Bilhões que dormem em silêncio, sonhando ser lembrados por alguém que já não lembra nem onde deixou o controle remoto. É o Brasil das sobras: sobra fome, sobra imposto, sobra promessa — mas o dinheiro, ah, o dinheiro falta sempre onde é mais preciso.

E lá longe, no outro lado do mundo, a Indonésia chora o que não cabe em números. Sessenta e sete crianças mortas sob os escombros de uma escola que desabou em oração. Que ironia cruel: o teto desmorona justo quando as mãos se unem pedindo proteção. O resgate durou nove dias, o suficiente para ensinar ao mundo que fé e tragédia, às vezes, sentam na mesma carteira. As lágrimas dos pais se misturam à poeira do cimento — e o silêncio que resta é mais pesado que qualquer bloco de concreto.

Do Oriente, vem mais uma crônica de desalento: ativistas brasileiros deportados de Israel. Foram ajudar em Gaza, levando pão, e voltaram levando carimbos no passaporte e feridas no coração. A flotilha da esperança virou naufrágio diplomático. Israel devolve pessoas como quem devolve cartas devolvidas pelo correio da intolerância. A Jordânia os acolhe, o Brasil protesta, e o mar — sempre cúmplice e testemunha — continua lavando as culpas de todos, salgadas e antigas.

Ah, leitor, o mundo anda pendurado — como aquela antena. Entre o concreto e o caos, entre o imposto e a isenção, entre a fé e o escombro. Vivemos num planeta onde o dinheiro se perde em bancos e vidas se perdem em escolas. Onde o barulho das promessas políticas ecoa mais alto que o choro das mães indonésias.

E ainda assim, teimosos que somos, continuamos a rezar, rir e reclamar, porque a esperança brasileira é movida a ironia e resiliência. A antena pode cair, o imposto pode mudar, o mundo pode balançar — mas o humor, esse fio invisível que nos sustenta, permanece firme, pendurado no céu das crônicas diárias.

E no fim, resta o mesmo pedido de sempre: que Deus nos livre das quedas que doem, das promessas que pesam e das notícias que desabam sobre nós como pedaços de antena.

Saudações,
Professor Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE