CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 06 de outubro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O sol acordou preguiçoso nesta segunda-feira, bocejando por trás das nuvens como quem sabe que a semana já começa com cara de prova difícil. Lá vem a vida, esse vestibular diário sem gabarito, exigindo de nós dissertações sobre paciência, resiliência e boleto pago.
E falando em provas, a Universidade Federal de Sergipe abriu as portas do saber — ou melhor, as janelas do edital — oferecendo um prêmio digno de sonho acadêmico: R$ 13.288,85 de salário inicial. Ah, que beleza! Um número que brilha como miragem no deserto da educação brasileira. Enquanto isso, muitos professores ainda lutam com o salário que mal compra o giz, o pão e o “pacote de esperança” parcelado em doze vezes sem juros. Ser professor no Brasil é um concurso sem fim, em que o mérito é sobreviver ao desdém das políticas públicas e ao pó do apagador. Mas há sempre o brilho da vocação, aquele fogo teimoso que nem a falta de estrutura apaga — e é por isso que, mesmo cansado, o educador segue, de lápis na mão e fé no peito, escrevendo futuro na lousa da vida.
Enquanto isso, do outro lado do hemisfério, o senhor das manchetes Donald Trump, agora presidente dos Estados Unidos outra vez (porque o mundo adora repetir os capítulos ruins da série), resolveu fazer as pazes comerciais com o Brasil. Disse que teve uma conversa “muito boa” com Lula e que “vai ao Brasil em algum momento”. Em algum momento… talvez quando as árvores começarem a votar ou quando a Amazônia ganhar status de empresa listada na bolsa de Nova York. Trump é desses que conversa com um sorriso de negócios nos lábios e um contrato de intenções na mão — sempre pronto para vender o futuro em suaves prestações.
Mas o mais curioso é ele chamar Lula de “bom homem”. Ah, que ironia globalizada! É como se o lobo elogiasse o pastor enquanto contava as ovelhas. O palco diplomático é mesmo um teatro de máscaras, onde cada aperto de mão esconde um jogo de interesses e cada “amizade entre nações” é uma novela cheia de pausas dramáticas. No fundo, talvez o mundo precise de menos cúpulas e mais copos — de café, claro — para conversas honestas, sem tradutor nem discurso ensaiado.
E falando em fé (ou na falta dela), a Alemanha resolveu dançar com os anjos — literalmente. Igrejas vazias, outrora cheias de aleluia e incenso, agora se transformam em baladas, academias e centros culturais. O órgão sagrado dá lugar ao DJ, o vinho da missa vira drink colorido e os sinos tocam ao som do baixo eletrônico. Que espetáculo simbólico! As paredes que um dia guardaram orações agora ecoam batidas e luzes de neon. Talvez Deus esteja lá mesmo, rindo da ironia celestial: “Se não vêm mais a Mim, Eu vou até eles — com playlist e iluminação cênica.”
Há, porém, uma reflexão nesse carnaval espiritual: não será que a fé está apenas mudando de roupa? O ser humano continua buscando sentido — seja em um templo ou em uma pista de dança. O problema é quando confundimos transcendência com curtida e espiritualidade com curtida duplicada.
O dia 6 de outubro, enfim, foi um mosaico de contrastes: de professores sonhando com estabilidade a políticos sonhando com poder, de igrejas em silêncio a templos que agora dançam. E nós, simples espectadores, seguimos tropeçando entre o sagrado e o profano, tentando equilibrar a vida no fio da esperança.
Afinal, o mundo é uma grande sala de aula — e a prova da existência não tem data de encerramento. Que venham as inscrições, os concursos, as conversas diplomáticas e até as baladas nas catedrais — porque o importante, no fim das contas, é que a alma continue aprendendo, mesmo que o corpo já esteja cansado de tanto esperar.
Saudações do cronista-professor que ainda acredita que fé, educação e humor são os três pilares que sustentam o milagre cotidiano de acordar e tentar de novo.




