CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de Setembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Eu, Antonio Glauber, início a crônica de hoje. Seja bem-vindo, caro leitor (a), a esta travessia pelas linhas tortuosas das manchetes que, mais do que informar, parecem nos convidar a um espetáculo tragicômico em praça pública. Pegue seu café, ajeite a cadeira : o jornal é um palco onde a vida insiste em ensaiar dramas gregos misturados com esquetes de pastelão.
Logo cedo, o Rio Sergipe resolveu engolir um adolescente em suas águas. Não foi um mergulho, foi um abraço sombrio do rio, que ora é espelho de poesia, ora é boca faminta. Os bombeiros buscam, como se fossem pescadores de esperança, o corpo ou o milagre. E nós, da margem, ficamos a olhar o leito.
Enquanto isso, o céu sergipano anuncia tempestade: ventos de 70 km/h prometem arrastar guarda-chuvas, telhados e talvez a paciência do povo. A previsão do tempo virou aviso de apocalipse: chuva que não lava, apenas alaga; vento que não refresca, apenas arranca. A natureza, cansada de ser explorada, parece está em greve de calmaria.
No Aeroporto de Aracaju, a PF prendeu dois sujeitos carregando produtos sem nota fiscal. Não eram malas, eram cofres ambulantes, carregados de sonhos tributados pelo contrabando. A cada flagrante, o aeroporto se revela não só porta de entrada da capital, mas vitrine de espertinhos que acham que o Brasil é uma grande liquidação sem nota.
Mas o dia também vestiu luto: o historiador Paulo Roberto Nascimento partiu. Não houve velório, apenas uma homenagem breve. A vida, essa cronista cruel, decidiu que até as despedidas seriam rápidas, como um telegrama enviado às pressas. E nós ficamos mais pobres, porque um historiador que parte leva consigo páginas inteiras que jamais serão escritas.
No Rio, a tal refinaria fantasma virou personagem de terror político. A Refit, que deveria refinar combustíveis, parece refinar apenas esquemas. Finge produzir, mas produz mesmo é sombra, fumaça e dívidas bilionárias. Os navios carregados de diesel ficaram retidos, e os políticos, por tabela, ficaram de cabelo em pé. Nada como um pouco de gasolina invisível para incendiar Brasília.
No STF, Barroso se despede da presidência como quem larga um microfone num show frustrado: sua “única frustração” foi não conseguir pacificar o país. Ora, ministro, pacificar o Brasil é como ensinar onça a virar vegana: missão impossível, mas vale o espetáculo da tentativa. Entre sanções dos EUA e os presos do golpe que não querem paz, o Brasil continua um ringue com plateia cansada.
Enquanto isso, no Ministério do Turismo, Celso Sabino entrega a carta de demissão. É a 13ª troca de ministros — parece até campeonato de dança das cadeiras, só que sem música. O União Brasil puxou a tomada, e Lula teve que apagar mais uma luz no gabinete. Turismo sem ministro? Nada de novo: afinal, o turismo no Brasil sempre funcionou sozinho, guiado pela teimosia do povo e pela paisagem que resiste.
A China, por sua vez, testou um sistema para ejetar baterias em chamas de carros elétricos. Imagino a cena: o carro tossindo fogo e, de repente, plim!, a bateria voa seis metros para o lado. Parece desenho animado, mas é engenharia futurista. Quem diria: até as chamas, agora, têm saída de emergência.
No cenário internacional, Netanyahu reaparece na ONU, mais isolado que guarda-chuva em dia de sol. Dobrou a aposta, triplicou a arrogância e decretou que paz é apenas uma palavra fora do seu dicionário. Ao fundo, Gaza continua sangrando, e o mundo assiste em silêncio covarde.
Na Dinamarca, drones sobrevoam o céu como corvos metálicos, levantando suspeita de conspiração contra a OTAN. Parece que a Guerra Fria foi descongelada e posta no micro-ondas da geopolítica.
E o dia, que já era pesado, termina em lágrimas para Japaratuba e Pirambu: Santiago Santos Góes nos deixou. A terra chora, as ruas murmuram e os corações dos japaratubenses e pirambuenses sentem o vazio que nem poesia consola. A morte, sempre inoportuna, insiste em aparecer como manchete final, lembrando que somos todos notas de rodapé na eternidade.
No fim, caro leitor (a), este 26 de setembro foi uma colcha de retalhos feita de tragédia, ironia, luto e saudade. O rio devorou, a chuva ameaçou, a política tropeçou, e a morte levou um amigo. O mundo nervoso e a lágrima clandestina se misturaram como tinta no papel. E eu, Antonio Glauber, encerro a crônica com a sensação de que o jornal de hoje não foi lido: foi vivido com a alma à beira de emoções.




