CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de Setembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Abram-se as cortinas do dia! Eis que o palco da segunda-feira se ergue como um teatro cheio de atores que juram improvisar, mas seguem um roteiro mal escrito pela própria história. Sergipe, pequenino em mapa e gigante em memória, acordou com o Museu da Gente Sergipana soprando poesia no vento da 19ª Primavera dos Museus. Era como se cada objeto exposto ganhasse vida e dissesse: “não me deixem virar poeira, não me deixem morrer em silêncio”. Ali, os tambores do cacumbi soavam como corações antigos, e as fitas das cheganças dançavam com o cheiro do rio. Preservar, dizem eles, é mais que guardar no porão — é lembrar que sem raízes não há árvore que floresça.
Enquanto isso, longe da sala climatizada do museu, no circo romano da política, o espetáculo beirava o grotesco. A PGR resolveu acender o holofote sobre Eduardo Bolsonaro, acusando-o de tentar salvar o pai com um passe diplomático nos EUA, como se fosse possível varrer um golpe de Estado para debaixo do tapete da Casa Branca. Jair, o patriarca, escapou da denúncia, como quem foge pela porta dos fundos de um cabaré depois da batida policial. Ironia fina: o filho que jurava defender a pátria acabou réu de um patriotismo de exportação, tentando vender a honra nacional a preço de liquidação internacional.
Mas a novela ganha um tempero mais picante com o governo Trump em seu segundo ato. Ah, Trump, esse maestro da dissonância, que transformou a Lei Magnitsky em espada e a balança da justiça em pêndulo de interesses! Depois de sancionar Moraes em julho, agora resolve apunhalar até a esposa do ministro, como se a democracia fosse um jantar em família e ele, o cozinheiro vingativo. Chamam a lei de “pena de morte financeira” — e eu pergunto: desde quando dinheiro substitui o pulso vital? A verdade é que vivemos num mundo em que matar a conta bancária é mais letal do que envenenar o copo d’água.
E como se o palco não tivesse enredos suficientes, o Oriente Médio resolveu soprar vento fresco: o Reino Unido reconheceu a Palestina, e Londres ganhou uma nova embaixada. Foi como plantar uma oliveira no meio do asfalto europeu. Entre aplausos e protestos, a bandeira palestina tremulou nas margens do Tâmisa, lembrando ao mundo que a esperança insiste em florescer até nas rachaduras do concreto.
Mas, como em toda farsa política, há sempre um ator que se recusa a sair de cena: Trump, de novo. O velho espetáculo do “eu contra todos” ganhou novos capítulos, com pedidos de urgência ao Departamento de Justiça para acelerar processos contra adversários políticos. É como se o palco democrático tivesse virado ringue de boxe, onde o árbitro é comprado e as luvas, cravejadas de ferro. Trump reclama que “nada está sendo feito” — ah, se ele soubesse quanta coisa está sendo desfeita em silêncio, talvez guardasse o verbo no bolso e deixasse o espetáculo correr.
E assim terminou o dia: entre museus que guardam a memória e tribunais que expõem a amnésia; entre sanções que matam contas e esperanças que inauguram embaixadas; entre filhos que defendem pais e pais que fingem inocência.
A vida, caros leitores, segue sendo esse teatro tragicômico: uns guardam o passado como ouro, outros vendem o futuro como sucata. O que nos resta é escolher de qual plateia queremos rir — a dos que preservam ou a dos que conspiram.
E no final, quando a cortina fechar e o silêncio cair, talvez descubramos que o maior museu é a própria consciência: aquele lugar onde só cabem peças autênticas, e onde nenhuma mentira resiste ao tempo.




