Fábula
Mara, a Onça Humilde
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No coração da mata havia uma onça chamada Mara, que não rugia para impor respeito nem ostentava sua força como coro de trovão. Pelo contrário: caminhava serena, de cabeça baixa, deixando que o barulho das folhas fosse mais alto que sua vaidade.
Os outros animais, acostumados a ver onças como donas da floresta, estranhavam sua calma. O macaco zombava:
— Olhem só a rainha que não usa coroa! Nem dentes mostra!
A anta, curiosa, perguntou:
— Mara, por que não se gaba da sua força? Por que não ameaça como as outras onças?
E Mara respondeu, com voz tranquila como rio em manhã de sol:
— A força verdadeira não precisa de trombetas. Quem se gaba da própria grandeza revela a própria pequenez.
Um dia, um caçador entrou na mata. Os animais correram em desespero, e o macaco que zombava ficou preso numa armadilha. Mara, silenciosa, avançou sem rugido. Com um golpe certeiro de suas garras, quebrou a corda e libertou o macaco.
Os bichos, antes desconfiados, entenderam: a humildade não era fraqueza, mas sabedoria. Desde então, Mara não foi chamada apenas de onça, mas de Mara, a Guardiã Humilde da Floresta.
🌱 Moral da história:
Quem é verdadeiramente forte não precisa gritar sua força. A humildade protege mais do que a arrogância.




