CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 18 de Setembro de 2025
Publicado em 19/09/2025 às 6:59

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

A quinta-feira dia 18 de setembro de 2025 abriu os olhos com o sol piscando debochado, como quem ri das tragédias de bolso e das farsas engravatadas. Sergipe, coitado, virou palco de um teatro grotesco em Itabaianinha: mais de cem mil reais, cartões do Bolsa Família e um carro na ponta do anzol policial. Era a miséria pescada com rede de luxo, um Robin Hood às avessas que tirava do pobre para engordar o próprio bolso. Os suspeitos, dois homens sem capa de heróis, decidiram brincar de “Banco 24 horas ambulante”. Mas como todo conto de esperteza tem prazo de validade, acabaram desmascarados pela polícia — e a ironia do destino foi que os cartões destinados à sobrevivência acabaram virando prova do crime. A pobreza, mais uma vez, sangrou duas vezes: primeiro na falta de pão, depois na astúcia alheia.

Enquanto isso, em Brasília, o Banco Central, esse maestro de sinfonias desafinadas, decidiu que o povo deve continuar dançando ao som da batida mais dura da economia: 15% de juros ao ano. Uma Selic que não é selinho de amor, mas bofetada no bolso. O Copom, esse conselho de sábios que nunca pegou ônibus lotado, carimbou a decisão como quem assina uma carta de amor ao mercado financeiro e uma carta de despejo ao trabalhador. O Brasil, nesse ritmo, virou pista de dança em que só os banqueiros sabem o passo — e nós, mortais, tropeçamos nas parcelas do cartão. A inflação é o dragão, o juro é a espada, e o povo, desarmado, continua duelando de peito aberto.

E se na Argentina a pelota já não rola, a novela maradoniana ainda rende capítulos. Irmãs e advogado do eterno craque tiveram bens penhorados por fraude na gestão da marca do ídolo. Ironia cruel: Maradona, que driblava exércitos em campo, agora é driblado por fantasmas de toga e papel timbrado. Sete milhões de reais em multa — um gol contra de placa na prorrogação da vida do mito. Os filhos do “D10s” lutam no tribunal como se fosse final de Copa: não contra alemães ou ingleses, mas contra parentes de sangue e advogados que trocaram a bola pela caneta. É como se o tango argentino tivesse se transformado em marcha fúnebre da vaidade.

No meio desse redemoinho de notícias, fica a sensação de que vivemos num reality show global. O pobre que deveria ser protegido é caçado, o rico que deveria dar exemplo multiplica juros como quem multiplica pães, e até os mortos famosos continuam sendo explorados em capítulos de novela sem fim. A vida insiste em nos lembrar que a justiça não usa venda, mas óculos de grife — e que a economia, em vez de ser remédio, virou veneno que se vende em dose parcelada.

No fim do dia, o céu de Japaratuba se veste de laranja e roxo, como quem escreve poesia sobre o caos humano. E eu, cronista sem escudo, pergunto: até quando o Brasil vai se contentar em ser figurante nessa peça tragicômica? Talvez um dia a plateia se levante, invada o palco e mude o roteiro. Até lá, seguimos rindo para não chorar, dançando no compasso errado da Selic e torcendo para que o apito final nos encontre ainda com fôlego.

Porque, no fundo, a vida é isso: um campo de futebol onde os dribles da corrupção, os carrinhos da economia e os gols contra da justiça deixam o povo sempre na posição de goleiro… sem luvas.