CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de Setembro de 2025
Publicado em 18/09/2025 às 9:37

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia amanheceu com bisturis mais afiados que promessas de político em palanque. Sergipe acordou cirúrgico, inaugurando uma técnica que, sem silicone, devolve às mulheres não apenas as mamas, mas a dignidade moldada na própria carne. É como se o corpo, em gesto de teimosia poética, dissesse: “Eu me reconstruo com aquilo que sou, não com aquilo que tentam me impor.” A ciência, dessa vez, foi artista: esculpiu esperança com músculo e gordura, e assinou a obra sem plástico importado. Um milagre laico, onde cada sutura é verso, e cada cicatriz, uma estrofe de resistência.

Enquanto a medicina costurava vidas, a política, como sempre, descosturava a lógica. No grande teatro da Câmara, Crivella subiu ao palco com seu projeto de anistia para manifestações. O espetáculo foi grotesco: 311 deputados aplaudindo a pressa, 163 vaiando em silêncio e 7 indecisos, como figurantes que perderam a deixa. Querem anistiar aqueles que confundiram democracia com motim, que trocaram a urna por barricada, e a Constituição por meme de WhatsApp. É a velha farsa da política brasileira: quem gritou “intervenção” agora pode ganhar absolvição. A anistia virou batom barato para esconder a verruga da história, e a urgência votada é mais uma maquiagem mal feita em rosto cansado de tantas farsas.

Do outro lado do mapa, a Venezuela afinava seus canhões como se fossem trompetes de uma orquestra desafinada. Em La Orchila, navios de guerra e embarcações anfíbias faziam piruetas no Caribe, exibidos na TV estatal como desfile de escola de samba militar. Maduro, maestro de banda marcial que só toca marchas fúnebres, levanta a batuta contra os EUA, num espetáculo de força que mais parece teatro de marionetes com cordas visíveis. O povo, plateia silenciosa, assiste a exercícios bélicos enquanto o arroz e o feijão continuam exilados das panelas.

Entre bisturis, votos e canhões, o Brasil continua sua coreografia tropical: ora samba no hospital, ora choro na Câmara, ora frevo nas fronteiras do Caribe. O país é mestre em dançar em cima da corda bamba, com ares de equilibrista bêbado que jura estar firme. E nós, espectadores, seguimos batendo palmas com mãos calejadas de tanto aplaudir milagres pequenos e vaiar tragédias imensas.

Talvez a lição do dia seja esta: quando a ciência opera com carne e coragem, há futuro. Quando a política opera com pressa e esquecimento, há farsas. E quando os exércitos marcham em ilhas turísticas, há medo disfarçado de patriotismo. No fim, resta-nos olhar para o corpo reconstruído daquela paciente sergipana e acreditar: se o corpo se reinventa, por que a nação não poderia também cicatrizar suas feridas sem próteses ideológicas?

O bisturi da ciência mostrou que a vida pode renascer do próprio tecido. Quem sabe, um dia, o bisturi da história corte o tumor da impunidade e reconstrua o peito do Brasil — sem silicone político, apenas com a carne verdadeira do povo.