CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de Setembro de 2025
Publicado em 12/09/2025 às 2:55

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia 11 de setembro amanheceu com cara de ironia histórica, como se o calendário tivesse aprendido a fazer piadas de mau gosto. Em Pirambu, os jogos internos da Escola Mário Trindade Cruz viraram palco de gladiadores modernos: futsal masculino e feminino, queimado, suor escorrendo em quadra, gritos de torcida ecoando como se fosse final de Copa do Mundo. Era o Olimpo vestido de tênis barato e camisa escolar, mas com a mesma intensidade dos deuses. As bolas pareciam cometas em órbita errática, perseguindo sonhos de gols e vitórias — e também tropeços e lágrimas. A infância e a adolescência ali mostravam que, no fundo, o mundo pode ser salvo por uma simples partida bem jogada.

Enquanto isso, no litoral, o Corpo de Bombeiros soltava um aviso quase poético: não se banhem nas pedras de Aracaju, pois ali a correnteza é traiçoeira e o mar não perdoa. Mas, convenhamos, quem nunca foi seduzido por águas proibidas? O mar é um amante que chama com voz de sereia, mas abraça com força de carrasco. E quantos não pensam que são Netuno com pernas de turista, até perceberem que a onda é mais esperta que qualquer vaidade humana?

Mas o noticiário não perdoa. E a manchete que ecoou como trovão foi a condenação de Bolsonaro: 27 anos e 3 meses de prisão. Não, não era roteiro de série da Netflix, era o Brasil escorrendo ironia pela boca. Pela primeira vez, um ex-presidente condenado por tentativa de golpe. O homem que jurava salvar a pátria agora vai salvar o tempo contando grades. Ironia maior impossível: quem sonhava em governar por décadas, agora contabiliza os anos de cadeia como quem conta tijolos em cela. A justiça, às vezes lenta como tartaruga manca, decidiu dar um passo de leopardo. E o país, dividido entre aplausos e gritos, viu a história escrever uma página que nem Machado de Assis ousaria rabiscar.

No meio da tragédia farsesca, um lampejo de sorte: a Mega-Sena resolveu beijar Teresópolis com lábios de ouro. Um único bilhete, R$ 53,9 milhões. O sortudo deve estar rindo sozinho, com medo de acordar e descobrir que ainda deve no açougue. Enquanto milhões rezam para ganhar a vida, um anônimo já não precisa mais nem rezar: pode comprar sua própria capela. Sorte grande demais é sempre um escárnio divino para quem luta no fiado.

E como se o mundo precisasse de mais pólvora, a Alemanha anunciou o envio de tropas à Lituânia após drones russos sobrevoarem a Polônia. A Europa, essa eterna arena de egos inflamados, continua a brincar com fósforos em palheiro nuclear. É a velha mania dos impérios de medir músculos na beira do abismo, como meninos brigando por um carrinho de brinquedo, só que o carrinho agora carrega ogivas.


No fim, o dia 11 de setembro se apresentou como espetáculo completo: esporte inocente nas quadras, mar furioso nas pedras, justiça tardia que virou manchete, fortuna que muda destino e guerras que ameaçam o amanhã. O calendário riu com sarcasmo: entre bolas de futsal, ondas, grades, milhões e drones, a vida segue, dançando no fio da navalha.

E eu, confessional, confesso: prefiro sempre o grito da torcida infantil ao barulho dos canhões. Porque, no fundo, é no pátio da escola — e não nos palcos de guerra — que se aprende a arte maior: a de jogar limpo.