CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de Setembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia 11 de setembro amanheceu com cara de ironia histórica, como se o calendário tivesse aprendido a fazer piadas de mau gosto. Em Pirambu, os jogos internos da Escola Mário Trindade Cruz viraram palco de gladiadores modernos: futsal masculino e feminino, queimado, suor escorrendo em quadra, gritos de torcida ecoando como se fosse final de Copa do Mundo. Era o Olimpo vestido de tênis barato e camisa escolar, mas com a mesma intensidade dos deuses. As bolas pareciam cometas em órbita errática, perseguindo sonhos de gols e vitórias — e também tropeços e lágrimas. A infância e a adolescência ali mostravam que, no fundo, o mundo pode ser salvo por uma simples partida bem jogada.
Enquanto isso, no litoral, o Corpo de Bombeiros soltava um aviso quase poético: não se banhem nas pedras de Aracaju, pois ali a correnteza é traiçoeira e o mar não perdoa. Mas, convenhamos, quem nunca foi seduzido por águas proibidas? O mar é um amante que chama com voz de sereia, mas abraça com força de carrasco. E quantos não pensam que são Netuno com pernas de turista, até perceberem que a onda é mais esperta que qualquer vaidade humana?
Mas o noticiário não perdoa. E a manchete que ecoou como trovão foi a condenação de Bolsonaro: 27 anos e 3 meses de prisão. Não, não era roteiro de série da Netflix, era o Brasil escorrendo ironia pela boca. Pela primeira vez, um ex-presidente condenado por tentativa de golpe. O homem que jurava salvar a pátria agora vai salvar o tempo contando grades. Ironia maior impossível: quem sonhava em governar por décadas, agora contabiliza os anos de cadeia como quem conta tijolos em cela. A justiça, às vezes lenta como tartaruga manca, decidiu dar um passo de leopardo. E o país, dividido entre aplausos e gritos, viu a história escrever uma página que nem Machado de Assis ousaria rabiscar.
No meio da tragédia farsesca, um lampejo de sorte: a Mega-Sena resolveu beijar Teresópolis com lábios de ouro. Um único bilhete, R$ 53,9 milhões. O sortudo deve estar rindo sozinho, com medo de acordar e descobrir que ainda deve no açougue. Enquanto milhões rezam para ganhar a vida, um anônimo já não precisa mais nem rezar: pode comprar sua própria capela. Sorte grande demais é sempre um escárnio divino para quem luta no fiado.
E como se o mundo precisasse de mais pólvora, a Alemanha anunciou o envio de tropas à Lituânia após drones russos sobrevoarem a Polônia. A Europa, essa eterna arena de egos inflamados, continua a brincar com fósforos em palheiro nuclear. É a velha mania dos impérios de medir músculos na beira do abismo, como meninos brigando por um carrinho de brinquedo, só que o carrinho agora carrega ogivas.
No fim, o dia 11 de setembro se apresentou como espetáculo completo: esporte inocente nas quadras, mar furioso nas pedras, justiça tardia que virou manchete, fortuna que muda destino e guerras que ameaçam o amanhã. O calendário riu com sarcasmo: entre bolas de futsal, ondas, grades, milhões e drones, a vida segue, dançando no fio da navalha.
E eu, confessional, confesso: prefiro sempre o grito da torcida infantil ao barulho dos canhões. Porque, no fundo, é no pátio da escola — e não nos palcos de guerra — que se aprende a arte maior: a de jogar limpo.




