CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de Setembro de 2025
Publicado em 09/09/2025 às 5:58

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia 8 de setembro escreveu um roteiro com cara de metáfora mal-humorada: céu fechado, nuvens gordas de chuva e notícias tão pesadas que fariam inveja a qualquer tempestade tropical. Sergipe, pobre Sergipe, virou palco de uma peça digna de tragédia grega — mas com humor negro de circo mambembe.

Trinta prefeituras, veja só, resolveram brincar de “engenharia fiscal criativa”. O que era para ser administração pública virou cassino de luxo com fichas de papel timbrado. Consultorias apontavam créditos como quem aponta vaga-lumes em noite escura, e prefeitos mordiam a isca com a alegria de quem acha um bilhete premiado de loteria no fundo do paletó. Duzentos milhões em créditos indevidos! É dinheiro suficiente para cobrir ruas, hospitais e sonhos; mas preferiram cobrir bolsos, contas e silêncios. A Receita Federal, cansada de assistir a esse teatro grotesco, levantou-se da plateia e acendeu as luzes: “acabou a farra, senhores, a cortina desceu”.

Enquanto isso, o céu conspirava: chuva forte prevista para várias regiões. Coincidência ou ironia? Talvez as águas celestes venham lavar os pecados terrestres. Mas, como bom nordestino, sei que às vezes a chuva só molha e não purifica: encharca sapatos, arrasta telhados e deixa lama no lugar onde deveria nascer esperança.

No Congresso, o espetáculo foi outro. A CPI do INSS virou ringue de telecatch. Parlamentares berravam como papagaios histéricos em feira de domingo. Um acusava, o outro devolvia na mesma moeda, e o povo? O povo assistia, impotente, esse circo de horrores, sem direito nem a pipoca. O INSS, que deveria ser casa de aposentadoria tranquila, virou piada amarga, meme de mau gosto: um templo de contribuições transformado em arena de gladiadores que só sabem gritar.

E lá fora, no México, a vida mostrou sua face mais cruel. Trem e ônibus se beijaram em colisão mortal, e o resultado foi um cortejo de dor: 10 vidas interrompidas, 61 feridos. O barulho dos ferros retorcidos ecoa como sinos fúnebres. Uma tragédia que lembra a todos nós que a vida, às vezes, é um sopro interrompido por um descuido mecânico.

Entre fraudes, tempestades, bate-bocas e tragédias, o 8 de setembro se mostrou uma data bordada com fios de ferro e lágrimas. E eu, aqui de Japaratuba, penso: será que um dia o Brasil vai acordar sem esse gosto de novela mal escrita? Será que o céu se abrirá, não para despejar chuva, mas para iluminar com sol de justiça?

O dia termina, mas a pergunta fica: quando é que vamos parar de tropeçar nos mesmos buracos, cavados por mãos que juraram pavimentar o caminho?

E talvez a resposta esteja no vento que agora sopra, molhado de chuva, sussurrando: “a pátria não se constrói com trapaça, mas com verdade”.