CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de Setembro de 2025
Publicado em 06/09/2025 às 12:35

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O 5 de setembro acordou como quem tropeça ao levantar da cama: um pouco trêmulo, um tanto sarcástico, cuspindo no café das manhãs brasileiras notícias que mais parecem capítulos de um romance realista escrito por um Machado de Assis mal-humorado.

Em Lagarto, a Justiça Eleitoral puxou a toalha da mesa e deixou o banquete político voando no ar: prefeito e vice cassados por abuso de poder econômico e uso indevido da comunicação. Ironia? Eles abusaram tanto do microfone que agora foram silenciados pelo próprio eco da legalidade. É a democracia mostrando que ainda sabe dar rasteiras — embora, convenhamos, às vezes com a elegância de um elefante tentando dançar balé no palco da moralidade.

Enquanto isso, Sergipe vestiu luto: o ator Orlando Vieira, mestre das artes, partiu aos 94 anos. Capela perde um filho, o teatro perde uma voz, e nós ficamos órfãos de um artista que ousou desafiar a pequenez da província para conquistar o troféu Kikito em Gramado. Orlando foi desses que transformam palco em altar e personagem em eternidade. Agora, talvez esteja ensaiando nos bastidores da eternidade uma peça com Shakespeare, Suassuna e Lampião na mesma cena.

No TRE, 6.400 eleitores de Aracaju foram convocados para a biometria. É quase um “chamado divino”: compareça, dê o dedo e prove que existe. Afinal, no Brasil, às vezes a democracia não começa com voto, mas com a digital carimbada como senha de entrada no circo eleitoral.

Já em Brasília, o STJ demitiu um servidor acusado de vender sentenças. Vejam só: sentença, artigo de luxo em alguns tribunais, virou mercadoria de camelô jurídico. “Promoção: habeas corpus 3×2 no balcão da impunidade”. A toga, nesse caso, ficou mais suja que pano de chão de boteco.

O Banco Central, acuado por hackers que invadem cofres digitais como quem abre latinha de sardinha, anunciou limites no PIX. O crime organizado, dizem eles, está infiltrado. Eu pergunto: está infiltrado onde? Só nas sombras da internet ou também nos gabinetes iluminados da burocracia?

Enquanto isso, Lula ao telefone com a Comissão Europeia defendeu parceria estratégica. Quase imagino: “Alô, Bruxelas? É o Brasil, vamos selar esse namoro antes que vire amizade colorida”. Entre tarifas e discursos diplomáticos, o que se quer mesmo é sobreviver ao tarifão europeu sem parecer pedinte na feira global.

No litoral paulista, o leilão do túnel Santos–Guarujá acontece como quem vende passagem secreta para Nárnia. Custo: R$ 6,8 bilhões. Valor suficiente para cavar não só um túnel, mas também um abismo na paciência do contribuinte.

A Bolsa, sempre bipolar, resolveu sorrir com o payroll fraco dos EUA. O dólar caiu e o índice bateu recorde. É como se a economia mundial fosse uma novela mexicana: um tropeço lá é motivo de festa cá.

Do outro lado da fronteira, nos EUA de Trump, 475 imigrantes foram presos em fábrica da Hyundai. Mão de obra descartável tratada como peça de carro quebrada. Ironia cruel: enquanto o capital circula livremente como vento, os corpos são algemados como contrabando.

E no palco da vida, Joe Biden enfrenta seu último e mais difícil papel: lutar contra um câncer agressivo. A notícia vem como um suspiro coletivo, lembrando-nos de que até ex- presidentes são frágeis diante das células rebeldes que brincam de roleta russa no corpo humano. O velho Joe, que já foi símbolo de persistência, agora nos ensina a lição mais dura: a da finitude.

Por fim, Putin declarou que tropas europeias na Ucrânia seriam “alvo legítimo”. Eis o czar da retórica bélica, transformando a geopolítica em duelo de faroeste, onde cada palavra soa como bala perdida. O mundo continua refém de líderes que confundem poder com pólvora e paz com pausa para recarregar armas.

E assim o dia 5 de setembro nos entrega este mosaico de tragédias, ironias e esperanças frágeis. No meio de tantos abismos, só me resta acreditar que a crônica da humanidade ainda pode ser reescrita com menos sangue e mais poesia.

Porque, no fim das contas, o que é viver senão tentar transformar a lama da realidade em tinta de esperança? E se não der certo, ao menos deixamos o rastro das nossas metáforas no chão de um tempo que insiste em tropeçar.