CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de Setembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O 4 de setembro abriu as portas com cara de preguiça cívica e coração de novela mexicana, desses que exageram até o soluço da mocinha. Na Alese, os nobres deputados aprovaram o projeto de lei para incentivo aos auditores fiscais, mas o Sindifisco resolveu transformar o plenário em palco de peça teatral: protesto com direito a suspiros dramáticos e olhares que gritavam “não é bem assim, meus caros”. Foi quase uma ópera burocrática, onde a partitura alternava entre aplausos e vaias, como se o povo fosse regido por maestro invisível que não sabe se toca hino de vitória ou marcha fúnebre.
Enquanto isso, em Pirambu, o chão da quadra virou território sagrado. Nos jogos internos da Escola Municipal Mário Trindade Cruz, o futsal foi mais do que esporte: foi poesia em movimento, chute que vira metáfora de liberdade, gol que ecoa como aplauso da própria vida. Meninos e meninas driblavam não apenas a bola, mas a monotonia dos dias. Ali, o suor era bandeira, a torcida era canto gregoriano de esperança, e até as traves pareciam sorrir, cúmplices da euforia juvenil.
Já em Brasília, o governo afinava uma Medida Provisória como quem compõe um samba para renegociar a dívida de produtores rurais. Lula e ministros, entre cafezinhos e acenos, tentavam transformar bilhões em notas de alívio. O projeto aprovado na Câmara, que abre o cofre do Fundo Social, já é sinfonia dissonante, mas Brasília é mestre em tocar desafinado e convencer a plateia de que se trata de jazz experimental. Renegociar dívida no Brasil é quase arte circense: malabaristas equilibram números, mágicos fazem desaparecer juros, e o público, hipnotizado, aplaude achando que viu milagre.
Do outro lado do Atlântico, a tragédia se fantasia de estratégia. Rússia e Ucrânia seguem o baile da pólvora, e agora Macron aparece como animador de festa militar, anunciando que 26 países prometeram enviar tropas como se fossem presentes de casamento para Zelensky. A coletiva de imprensa foi mais um capítulo dessa ópera bélica, com Trump no elenco e sanções no cardápio. Putin, de toga imperial, parece brincar de imperador romano, rejeitando qualquer iniciativa de paz como quem recusa sobremesa amarga. O mundo assiste, pasmo, a esse espetáculo de ferro e fogo, onde a esperança é sempre a última a ser convidada para a mesa.
E eu, aqui em Japaratuba, vejo tudo como se fosse um grande mosaico de ironias. A política veste máscara de palhaço, a economia tenta dançar valsa com a miséria, e a guerra insiste em tocar tambor de sangue no salão das nações. Entre protestos, futsal, medidas provisórias e promessas de tropas, o dia 4 de setembro nos lembra que a humanidade continua sendo personagem de uma tragicomédia universal — onde todos nós pagamos ingresso, mesmo sem querer.
No fim das contas, o riso nervoso e a lágrima contida se dão as mãos: porque rir ainda é resistência, e chorar, talvez, seja o único jeito de manter viva a chama da humanidade em meio ao circo de ferro, farsa e fogo.




