CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de Setembro de 2025
Publicado em 05/09/2025 às 7:17

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O 4 de setembro abriu as portas com cara de preguiça cívica e coração de novela mexicana, desses que exageram até o soluço da mocinha. Na Alese, os nobres deputados aprovaram o projeto de lei para incentivo aos auditores fiscais, mas o Sindifisco resolveu transformar o plenário em palco de peça teatral: protesto com direito a suspiros dramáticos e olhares que gritavam “não é bem assim, meus caros”. Foi quase uma ópera burocrática, onde a partitura alternava entre aplausos e vaias, como se o povo fosse regido por maestro invisível que não sabe se toca hino de vitória ou marcha fúnebre.

Enquanto isso, em Pirambu, o chão da quadra virou território sagrado. Nos jogos internos da Escola Municipal Mário Trindade Cruz, o futsal foi mais do que esporte: foi poesia em movimento, chute que vira metáfora de liberdade, gol que ecoa como aplauso da própria vida. Meninos e meninas driblavam não apenas a bola, mas a monotonia dos dias. Ali, o suor era bandeira, a torcida era canto gregoriano de esperança, e até as traves pareciam sorrir, cúmplices da euforia juvenil.

Já em Brasília, o governo afinava uma Medida Provisória como quem compõe um samba para renegociar a dívida de produtores rurais. Lula e ministros, entre cafezinhos e acenos, tentavam transformar bilhões em notas de alívio. O projeto aprovado na Câmara, que abre o cofre do Fundo Social, já é sinfonia dissonante, mas Brasília é mestre em tocar desafinado e convencer a plateia de que se trata de jazz experimental. Renegociar dívida no Brasil é quase arte circense: malabaristas equilibram números, mágicos fazem desaparecer juros, e o público, hipnotizado, aplaude achando que viu milagre.

Do outro lado do Atlântico, a tragédia se fantasia de estratégia. Rússia e Ucrânia seguem o baile da pólvora, e agora Macron aparece como animador de festa militar, anunciando que 26 países prometeram enviar tropas como se fossem presentes de casamento para Zelensky. A coletiva de imprensa foi mais um capítulo dessa ópera bélica, com Trump no elenco e sanções no cardápio. Putin, de toga imperial, parece brincar de imperador romano, rejeitando qualquer iniciativa de paz como quem recusa sobremesa amarga. O mundo assiste, pasmo, a esse espetáculo de ferro e fogo, onde a esperança é sempre a última a ser convidada para a mesa.

E eu, aqui em Japaratuba, vejo tudo como se fosse um grande mosaico de ironias. A política veste máscara de palhaço, a economia tenta dançar valsa com a miséria, e a guerra insiste em tocar tambor de sangue no salão das nações. Entre protestos, futsal, medidas provisórias e promessas de tropas, o dia 4 de setembro nos lembra que a humanidade continua sendo personagem de uma tragicomédia universal — onde todos nós pagamos ingresso, mesmo sem querer.

No fim das contas, o riso nervoso e a lágrima contida se dão as mãos: porque rir ainda é resistência, e chorar, talvez, seja o único jeito de manter viva a chama da humanidade em meio ao circo de ferro, farsa e fogo.