CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de Setembro de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia 3 de setembro de 2025 desfilou na passarela da história com gosto de ironia na boca e cheiro de metáfora no ar. Aracaju decidiu brincar de mágico de feira: fez uma licitação do transporte coletivo que agora quer enfiar no chapéu de cartola e dizer ao povo — “foi só ilusão de ótica, senhores passageiros, favor descer pela porta do meio”. O ônibus da esperança enguiçou na garagem da burocracia, e o Consórcio Metropolitano virou piada de stand-up político, onde a passagem é paga com paciência e a catraca só gira para quem tem tolerância infinita.
Enquanto isso, em Pirambu, um caminhão caçamba resolveu fazer estágio para papel de vilão em novela mexicana: perdeu os freios e foi beijar as paredes de um posto de saúde no Povoado Marimbondo. Milagre nenhum paciente saiu ferido, porque até os anjos resolveram descer para segurar a caçamba pelo para-choque. O prédio gemeu, caiu aos pedaços, mas sobreviveu, com a dignidade dos pobres, que apanham da vida, mas continuam em pé, esperando o próximo soco.
Já em Riachuelo, o prato do dia não foi apenas arroz, feijão e quiabo — veio acompanhado de larvas, que saltaram da panela direto para o noticiário. A Seduc apressou-se em carimbar: “foi um caso isolado”. Isolado como um grito dentro de sala de aula com teto pingando, isolado como a paciência dos pais que engolem a desculpa como se fosse sobremesa amarga. O cardápio virou metáfora cruel: a educação alimentada por restos, pela pressa, pelo improviso. E as larvas, coitadas, ganharam diploma de escândalo, mostrando que até a comida dos estudantes já foi contaminada pela política do descaso.
No céu da aviação, Gol e Azul decidiram dividir asas, firmando contrato de codeshare — um casamento forçado pela lógica do mercado, onde o Cade aparece como padrinho desconfiado, exigindo registro em cartório. O Brasil assiste de longe, como passageiro atrasado, rezando para que não cancelem o voo da esperança em nome do monopólio do lucro.
No Tocantins, a novela da corrupção ganhou novo capítulo: R$ 32 mil em dinheiro vivo, escondidos no gabinete do governador afastado. Notas frias, mofadas de pecado, que falam mais do que qualquer discurso televisionado. Dinheiro que não fede a suor de trabalhador, mas exala o perfume rançoso da propina, guardado como se fosse lembrança de família. A Polícia Federal não encontrou apenas notas, encontrou a digital da impunidade que insiste em carimbar o poder.
E, para coroar o espetáculo, a China resolveu dar show pirotécnico sem precisar de fogos: mísseis nucleares desfilando como bailarinas de aço, aliados marchando como se fossem personagens de uma coreografia apocalíptica. O mundo assiste, de camarote desconfortável, essa ópera da força bruta, enquanto os aplausos soam como trovões de medo escondido.
Ah, setembro… tu ainda nem completaste uma semana e já desfilas como tragédia shakespeariana com tempero de sátira nordestina. Entre licitações anuladas, caçambas desgovernadas, larvas escolares, voos monopolizados, cofres recheados e desfiles nucleares, a crônica do dia não cabe em manchete: ela pulsa como ferida aberta. Resta-nos, talvez, rir para não chorar, porque o Brasil é especialista em transformar desgraça em piada de mesa de bar. E quem sabe, no riso dolorido, encontremos a coragem para frear o caminhão desgovernado da nossa história, antes que ele acerte em cheio a saúde, a educação, a política e, por fim, a nossa própria esperança.




