CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 03 de Setembro de 2025
Publicado em 04/09/2025 às 11:27

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia 3 de setembro de 2025 desfilou na passarela da história com gosto de ironia na boca e cheiro de metáfora no ar. Aracaju decidiu brincar de mágico de feira: fez uma licitação do transporte coletivo que agora quer enfiar no chapéu de cartola e dizer ao povo — “foi só ilusão de ótica, senhores passageiros, favor descer pela porta do meio”. O ônibus da esperança enguiçou na garagem da burocracia, e o Consórcio Metropolitano virou piada de stand-up político, onde a passagem é paga com paciência e a catraca só gira para quem tem tolerância infinita.

Enquanto isso, em Pirambu, um caminhão caçamba resolveu fazer estágio para papel de vilão em novela mexicana: perdeu os freios e foi beijar as paredes de um posto de saúde no Povoado Marimbondo. Milagre nenhum paciente saiu ferido, porque até os anjos resolveram descer para segurar a caçamba pelo para-choque. O prédio gemeu, caiu aos pedaços, mas sobreviveu, com a dignidade dos pobres, que apanham da vida, mas continuam em pé, esperando o próximo soco.

Já em Riachuelo, o prato do dia não foi apenas arroz, feijão e quiabo — veio acompanhado de larvas, que saltaram da panela direto para o noticiário. A Seduc apressou-se em carimbar: “foi um caso isolado”. Isolado como um grito dentro de sala de aula com teto pingando, isolado como a paciência dos pais que engolem a desculpa como se fosse sobremesa amarga. O cardápio virou metáfora cruel: a educação alimentada por restos, pela pressa, pelo improviso. E as larvas, coitadas, ganharam diploma de escândalo, mostrando que até a comida dos estudantes já foi contaminada pela política do descaso.

No céu da aviação, Gol e Azul decidiram dividir asas, firmando contrato de codeshare — um casamento forçado pela lógica do mercado, onde o Cade aparece como padrinho desconfiado, exigindo registro em cartório. O Brasil assiste de longe, como passageiro atrasado, rezando para que não cancelem o voo da esperança em nome do monopólio do lucro.

No Tocantins, a novela da corrupção ganhou novo capítulo: R$ 32 mil em dinheiro vivo, escondidos no gabinete do governador afastado. Notas frias, mofadas de pecado, que falam mais do que qualquer discurso televisionado. Dinheiro que não fede a suor de trabalhador, mas exala o perfume rançoso da propina, guardado como se fosse lembrança de família. A Polícia Federal não encontrou apenas notas, encontrou a digital da impunidade que insiste em carimbar o poder.

E, para coroar o espetáculo, a China resolveu dar show pirotécnico sem precisar de fogos: mísseis nucleares desfilando como bailarinas de aço, aliados marchando como se fossem personagens de uma coreografia apocalíptica. O mundo assiste, de camarote desconfortável, essa ópera da força bruta, enquanto os aplausos soam como trovões de medo escondido.

Ah, setembro… tu ainda nem completaste uma semana e já desfilas como tragédia shakespeariana com tempero de sátira nordestina. Entre licitações anuladas, caçambas desgovernadas, larvas escolares, voos monopolizados, cofres recheados e desfiles nucleares, a crônica do dia não cabe em manchete: ela pulsa como ferida aberta. Resta-nos, talvez, rir para não chorar, porque o Brasil é especialista em transformar desgraça em piada de mesa de bar. E quem sabe, no riso dolorido, encontremos a coragem para frear o caminhão desgovernado da nossa história, antes que ele acerte em cheio a saúde, a educação, a política e, por fim, a nossa própria esperança.