CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de Setembro de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de Setembro de 2025
Publicado em 03/09/2025 às 14:11

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O 2° dia de Setembro acordou com cheiro de pólvora proibida e discursos inflamados. O governador de Sergipe, com caneta na mão e semblante de bombeiro metafórico, resolveu apagar as fagulhas da vaidade humana: sancionou a lei que proíbe fogos de artifício em ambientes fechados. Enfim, a chama da prudência venceu o estopim da imprudência. Imagino os rojões, cabisbaixos, fazendo terapia em grupo: “Antes eu brilhava no teto das festas, agora estou condenado ao silêncio em caixas empoeiradas.” Quem diria, até os fogos ganharam habeas corpus contra a insanidade humana.

Enquanto isso, em Brasília, o palco do julgamento do século abre as cortinas: Bolsonaro e seus fiéis escudeiros respondem pelo roteiro mais mal escrito da democracia recente — uma tentativa de golpe digna de tragicomédia grega. Moraes, de toga e sobrancelha arqueada, aponta o dedo para a impunidade como quem acusa um fantasma reincidente. Gonet pede condenação como quem exige que a justiça finalmente pague a conta do boteco da história. E as defesas, com a cara mais lavada que o chão da Praça dos Três Poderes depois da faxina de janeiro, juram inocência, negam golpe, inventam outra peça. No fundo, parece um grande teatro de bonecos: cada um puxa a cordinha, mas a plateia já sabe o desfecho — palmas amargas ou vaias indignadas.

Do outro lado do planeta, em Pequim, Xi Jinping sobe no palanque militar como maestro de uma orquestra de tanques e mísseis. O coro entoa a velha cantiga: “paz ou guerra?”. A ironia é que se precisa de tanto ferro e pólvora para cantar paz, talvez a partitura esteja desafinada. Putin e Kim Jong-un, plateia VIP do desfile, aplaudem como fãs de rock na primeira fila. E o mundo, esse adolescente indeciso, continua em crise de identidade: será poeta da convivência ou gladiador da destruição?

No fim do dia, as manchetes parecem versos de um poema cínico. Em Sergipe, o barulho dos fogos é silenciado; em Brasília, o ruído da justiça tenta vencer a surdez da impunidade; e em Pequim, os tambores da guerra tocam sob a promessa de paz. Três sinfonias diferentes, mas com a mesma partitura: a humanidade, essa banda desafinada que insiste em tocar sem maestro e sem ensaio.

E eu, cronista cansado, fecho o jornal como quem fecha uma ferida: sabendo que amanhã haverá outra, talvez mais funda, talvez mais engraçada. Porque o espetáculo humano não tem intervalo, só capítulos inéditos de uma peça chamada História — escrita a muitas mãos, mas revisada a muito custo.