CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de Setembro de 2025

“Setembro Desabrocha em Pães, Laranjas e Espinhos”

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de Setembro de 2025
Publicado em 02/09/2025 às 6:37

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Setembro abriu a cortina como maestro de ópera, e já de saída a primeira nota foi desafinada: padarias viraram cofres dourados do PCC, e pães franceses nasceram recheados de cifrões. Em Santo Amaro de Brotas, o pão quentinho da manhã parecia vir com fermento de lavagem de dinheiro. Duas mulheres, Ellen e Maria, foram empurradas para o palco como “laranjas”. Pobres frutas exóticas, apodrecendo no cesto da justiça, acusadas de adoçar o café da facção. E a gente se pergunta: será que o crime agora vem servido com manteiga na chapa?

Enquanto isso, os torcedores indisciplinados — aqueles gladiadores de arquibancada que confundem estádio com coliseu romano — entraram para o BNMP 3.0, como se fosse um álbum de figurinhas da vergonha nacional. Agora, quem gritar mais alto do que o juiz ou trocar socos em vez de gritos de gol, vai descobrir que não se pula mais catraca em segredo: a ficha criminal já chega antes do apito inicial. O futebol, esse teatro de paixões, tenta se purificar com detergente jurídico, mas a arquibancada ainda cheira a pólvora travestida de canto.

E no STF, os réus da trama golpista resolveram assistir às próprias sessões como quem acompanha novela: no sofá, de chinelo, com café e bolacha. Só o ex-ministro da Defesa resolveu dar o ar da graça presencial, talvez com saudade da pompa dos corredores. Ironia fina: a democracia que quase foi trocada por tanque agora se defende pelo streaming da Suprema Corte.

Na economia, o Banco Central trouxe notícias como brisa tímida em tarde de calor: a inflação vai descendo a escada semana após semana, catorze vezes seguidas, como se fosse dieta milagrosa de consultório. Mas cuidado: já vimos muito balão perder ar até virar bexiga murcha. O PIB, por sua vez, ganhou músculos na academia das estatísticas: 2,19%. Número que dá esperança, mas ainda não paga a conta de luz atrasada do povo.

E no Congresso, mexem nos testamentos como quem rearruma gavetas de herança. A elite já esfrega as mãos, planejando sucessões mais suaves que seda chinesa. Enquanto isso, o pobre, sem testamento nem herança, luta para não deixar dívida de cartão como lembrança aos filhos.

Ah, e a Lotofácil da Independência… R$ 220 milhões! O maior prêmio da história. Uma esmola divina jogada na roleta da sorte. O povo compra esperança em papel timbrado da Caixa, sonhando com churrasco eterno, carro importado e casa com piscina. Mas, no fim, o dinheiro vai pingar para meia dúzia, e a multidão seguirá colando figurinhas de desilusão.

No tabuleiro internacional, Xi, Putin e Modi posaram rindo juntos, como três mosqueteiros que juraram derrubar o império ocidental. A foto viralizou: três gigantes que brincam de rearrumar o planeta como se fosse um quebra-cabeça infantil. Do outro lado, os EUA, sempre fiéis à lógica do cheque, agora tentam comprar até o sofrimento palestino com US$ 5 mil e um kit básico de sobrevivência. O Hamas respondeu com ironia cortante: “Gaza não está à venda”. É o mercado da dor, onde vidas são precificadas em nota verde.

Setembro chega, mas já sabemos: não é primavera para todos. Há flores desabrochando em cúpulas diplomáticas, há pão com miolo sujo de dinheiro, há bola rolando em campo vigiado por câmeras da justiça, há testamento prometendo eternidade e há esperança vendida em bilhetes de loteria.

O mês começou como sinfonia de contrastes: risos de potências globais, lágrimas de palestinos, apostas de brasileiros e ironias de um país onde até o pão pode virar arma secreta da economia do crime.

E eu, cronista de Japaratuba, sigo perguntando: será que setembro trará primavera ou apenas mais espinhos disfarçados de flor?