CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de Agosto de 2025

Os sorrisos e as lágrimas do dia 26 de agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de Agosto de 2025
Publicado em 27/08/2025 às 17:07

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Abram o jornal, esse altar de papel onde a vida insiste em se ajoelhar diante do absurdo. Hoje, 26 de agosto de 2025, as manchetes são como punhais polidos: brilham e ferem ao mesmo tempo.

Comecemos por Aracaju, onde uma idosa luta para provar que está viva. A cena beira a comédia grega: uma senhora de carne, osso e rugas, de mãos trêmulas e coração pulsante, precisando gritar ao Estado: “Eu respiro, desgraçados!”. O cartório, esse túmulo burocrático, resolveu enterrar alguém que ainda insiste em pagar boletos e rezar terços. A mulher, em sua pele marcada pelo tempo, vira metáfora de um Brasil que respira, mas vive sendo declarado morto pela papelada. Ironia maior: enquanto ela luta para ser reconhecida como viva, muitos cadáveres políticos continuam de pé, sorridentes, disputando eleições.

Falando em mortos-vivos, a ex-deputada Zambelli reaparece no palco europeu. Presa na Itália, ela tenta a coreografia da vitimização: dores, atestados médicos, lágrimas de crocodilo pingando sobre processos. O STF já a condenou duas vezes, mas a novela continua, como uma reprise que ninguém pediu. É quase tragicômico ver uma personagem que tanto clamou por “ordem e progresso” agora implorando por piedade em outra língua. Roma deve estar pensando: “Entreguem essa senhora ao Coliseu, talvez os leões se recusem a mastigar tanta hipocrisia”.

Enquanto isso, o jornal sangra páginas de Gaza. O palco da guerra se torna cemitério de jornalistas. A soma é assombrosa: mais mortos do que nas guerras do Vietnã, da Iugoslávia, do Afeganistão, e até das duas grandes guerras mundiais juntas. É o microfone virando alvo, a caneta sendo enterrada antes de terminar a frase. Gaza, onde cada manchete é escrita com sangue e cada câmera é calada a tiros. Ali, a palavra “notícia” já vem manchada de pólvora.

O Brasil, esse país que adora transformar briga diplomática em novela de horário nobre, entrou em mais um capítulo da saga com Israel. O ministro da Defesa israelense resolveu soltar ofensas ao presidente brasileiro, chamando-o de antissemita e apoiador do Hamas. O Itamaraty, como sempre, respondeu com sua prosa pomposa: “ofensas inaceitáveis”. É como se fosse uma briga de vizinhos: de um lado, o cachorro late; do outro, o morador abre a janela e grita “vou chamar a polícia!”. Mas no fundo, ninguém sabe quem está cuidando do quintal ensanguentado: jornalistas mortos, civis soterrados, uma humanidade que se esfarela.

E nós, leitores de café coado e pão amanhecido, ficamos entre a tragicomédia e o horror. Uma idosa provando que está viva. Uma ex-deputada que tenta provar que é inocente. Jornalistas mortos tentando provar que a verdade existiu.

No fundo, a crônica é simples: a vida grita, mas a burocracia cala; a justiça fala, mas o poder ri; a guerra mata, mas a diplomacia joga palavras ao vento. O mundo segue nesse palco onde todos são atores improvisados, e a plateia – nós – não sabe se aplaude, chora ou vai embora antes do fim da peça.

Talvez a idosa de Aracaju seja a melhor metáfora de hoje: de pé, cansada, mas insistindo em dizer ao mundo: “Estou viva!”. Nós também, apesar de tudo, estamos. E isso, por si só, já é um ato de resistência.