CRÔNICA ESPORTIVA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre a Prata Histórica da Ginástica Rítmica

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre a Prata Histórica da Ginástica Rítmica
Publicado em 24/08/2025 às 14:16

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia 23 de agosto de 2025 não foi apenas mais um sábado de calendário gasto. Foi um sábado que saiu do papel e se dobrou em fita colorida, arco luminoso e bola saltitante. A Arena Carioca 1 não era só ginásio, era palco de epopeia: cinco meninas vestiram o Brasil com brilhos de esperança e bordaram com suor uma medalha inédita no conjunto geral da ginástica rítmica.

Duda, Nicole, Sofia, Mariana e Maria Paula — nomes que poderiam ser de personagens de romance juvenil — viraram heroínas olímpicas antes mesmo de tocarem no pódio. Elas não apenas dançaram com arcos e bolas, mas fizeram a plateia acreditar que o improvável pode ser coreografado. Ao som de “Evidências”, até Chitãozinho e Xororó teriam parado para chorar, não de amor, mas de orgulho nacional.

O Japão levou o ouro com 55.550 pontos, como quem passa a fita métrica na perfeição. O Brasil veio logo atrás, com 55.250, provando que medalha de prata, quando inédita, brilha como ouro na prateleira da história. A Espanha ficou com o bronze, e nós, brasileiros, ficamos com a garganta embargada, porque às vezes não é preciso vencer: basta chegar onde nunca chegamos.

A treinadora Camila Ferezin chorou palavras: “Foi a chance da nossa vida.” E Duda, capitã da seleção, resumiu como quem borda numa fita: “Trabalhamos e agora concretizamos.” Pareciam frases simples, mas eram monumentos erguidos com lágrimas.

Naquele instante, o Brasil subiu no pódio não com cinco ginastas, mas com um país inteiro cansado de tropeços, faminto por vitórias que nos devolvam o gosto de acreditar. O público aplaudiu de pé, como quem não queria apenas ver, mas participar da coreografia da história.

E eu penso: talvez a vida seja isso, uma série de arcos, bolas e fitas. Às vezes a nota vem alta, às vezes tropeçamos no tapete. Mas quando o esforço se transforma em medalha — seja de ouro, de prata ou de bronze — descobrimos que a verdadeira conquista não é o metal, mas a certeza de que o sonho dançou conosco.