CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de Agosto de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia 14 de agosto amanheceu com cara de quem já acorda pedindo um cafezinho forte e uma paciência ainda mais forte. O céu, indeciso, brincava de esconde-esconde com o sol, como se dissesse: “Hoje vou te dar sombra, mas só até a minha preguiça acabar”. E as notícias… ah, essas chegaram como convidados inconvenientes em festa de família: falam demais, mexem no que não é deles e ainda quebram o copo favorito da casa.
A primeira delas veio com o cheiro de cano velho: o Ministério Público resolveu dar um pito na metodologia de cálculo da tarifa de rateio da água em Aracaju. A Iguá, que não é santa nem sereia, jura de pés juntos que está conversando com condomínios e reguladores, tentando achar uma “solução consensual”. É bonito na teoria — na prática, todo mundo sabe que “solução consensual” entre empresa e consumidor é como beijo de novela: lindo no enquadramento, mas sem gosto na vida real. E no meio desse teatro, o povo continua pagando a conta como se cada gole de água fosse engarrafado no topo do Everest e trazido de helicóptero em taça de cristal.
Enquanto isso, no grande palco digital, o Comitê Gestor da Internet decidiu publicar seus 10 Mandamentos para Domar as Redes Sociais. Princípios lindos, cheios de democracia, direitos fundamentais e transparência… parece até anúncio de creme antienvelhecimento: promete acabar com todas as rugas da civilização com apenas três aplicações de regulação. O problema é que, na internet, cada um é o herói da própria novela e o vilão do feed alheio. Regular rede social é tentar ensinar etiqueta para gato de rua: pode até colocar gravata, mas ele ainda vai derrubar o vaso na primeira oportunidade.
E lá longe, no frio calculista das terras do Kremlin, a Rússia resolveu dar um “tranco de porta” no WhatsApp e no Telegram. Alegam “risco de segurança” — expressão que, nas mãos de governo autoritário, é como tempero de mãe: serve para justificar qualquer prato. Só voltam com o sinal quando as empresas abrirem a porta para os dados que o Kremlin quer ver. Cem milhões de usuários no escuro, como se de repente alguém tivesse arrancado o fio da tomada de um país inteiro. É a censura com ares de “manutenção técnica”, uma poda digital feita a machado.
No fim do dia, percebo que o mundo anda sedento: sedento por água justa, por internet livre, por transparência que não seja vitrine de loja. Só que essa sede, quando não saciada, se transforma em revolta — e revolta, ao contrário da água, não vem encanada. Ela brota. Ela vaza. Ela transborda.
E talvez um dia, quando percebermos que a liberdade é mais frágil que um copo de vidro e mais cara que a conta de água, já não haja torneira capaz de nos devolver o que perdemos.




