CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de Agosto de 2025 dia dos pais

As manchetes do 10º dia de agosto de 2025 o 2º domingo de agosto dia dos pais.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de Agosto de 2025 dia dos pais
Publicado em 11/08/2025 às 1:16

( 10-08-2025 )

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O domingo amanheceu com cheiro de querosene e penas queimadas. No céu de Aracaju, um pássaro desavisado decidiu bater o ponto na pista errada e, num encontro nada romântico com uma aeronave, assinou o atestado de “voo cancelado” para dezenas de passageiros. Quem esperava chegar a Salvador voando, chegou apenas à fila do guichê, aquele purgatório com ar-condicionado onde almas impacientes trocam histórias e resmungos, enquanto o destino, malandro, toma café na sala VIP da vida.

No mesmo palco tropical, a malandragem também abriu as asas. Um homem, vestido de “assessor de político” — espécie rara que sobrevive entre gabinetes e cochichos — resolveu vender sonhos no atacado e ilusões no varejo. Setenta pessoas morderam o anzol de um cargo inexistente, pagando de R$ 350 a R$ 600 para receber… nada, exceto a amarga sobremesa do golpe. O sujeito foi preso, mas no teatro do Brasil, sabemos que, nos bastidores, sempre há fila para o próximo ato dessa peça que mistura comédia pastelão com tragédia grega.

Enquanto isso, longe do cinismo que respira nas capitais, uma mãe atravessou a Amazônia como quem cruza um oceano verde, armada de amor e coragem, para salvar suas gêmeas siamesas. Eliza Vitória e Yasmin Vitória nasceram grudadas pelo tórax e abdome, e, após meses na UTI, saíram de Goiânia separadas, mas unidas para sempre pelo mesmo cordão invisível que liga almas. O retorno delas ao Pará é mais que uma viagem: é um desfile triunfal pelo tapete vermelho da vida, onde cada passo ecoa como um poema escrito no compasso do coração.

Do outro lado do Atlântico, a Espanha arde. Chamas vorazes, alimentadas por 40ºC e, talvez, pela mão criminosa de incendiários, forçaram mais de mil pessoas a fugir. O fogo, esse dragão de língua infinita, devora florestas e casas, enquanto o vento sopra o caos como maestro de uma sinfonia apocalíptica. É o planeta lembrando, no seu tom mais irônico, que ele pode viver sem nós, mas nós não podemos viver sem ele.

E assim, o dia 10 de agosto se despede como um livro de contos entrelaçados: a colisão absurda entre aço e asas, a farsa engravatada vendendo cargos de mentira, o épico amazônico de uma mãe que não conhece limites, e o incêndio que devora horizontes. Entre pássaros e aviões, golpes e milagres, fogo e esperança, seguimos voando — ou, pelo menos, tentando — sobre as turbulências da existência.

Porque viver, no fim das contas, é isso: driblar cancelamentos, escapar de golpes, carregar amor como combustível e, se possível, apagar incêndios — mesmo que sejam dentro de nós.