CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de Agosto de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
A segunda-feira nasceu de ressaca, com o céu bocejando nuvens pesadas e o Brasil amanhecendo entre os escombros de promessas esquecidas, licitações travadas e ex-presidentes reclusos, como personagens cansados de uma novela que se recusa a sair do ar.
Na capital sergipana, Aracaju, a novela do transporte coletivo ganhou mais um capítulo, daqueles com direito a vilões de terno e mocinhos que só existem no roteiro da esperança popular. A prefeitura, vestida de toga e armada de argumentos jurídicos, correu até a Justiça como quem busca um santo milagreiro para suspender a decisão do TCE, que mandava retomar a licitação dos ônibus.
E os passageiros? Ah, os passageiros seguem na arquibancada do sofrimento, esperando um transporte que não chega, feito trem fantasma em looping eterno. O povo, meu caro, virou figurante da própria saga: acorda cedo, espera muito e chega atrasado.
Se transporte coletivo fosse novela, o título seria: “Esperando o Ônibus e o Juízo Final”.
Enquanto isso, no tabuleiro do xadrez político, o ex-capitão Jair Messias Bolsonaro trocou a camisa da Seleção por uma tornozeleira eletrônica e foi promovido de investigado itinerante a hóspede fixo da prisão domiciliar.
Alexandre de Moraes, o juiz que já virou personagem de cordel e caricatura de charges raivosas, puxou mais um fio do novelo da Justiça. Bolsonaro, que antes desfilava entre multidões como um Dom Quixote do cerrado, agora anda de chinelos, recolhido em seu próprio castelo de sombras e declarações atravessadas.
O golpe, aquele que jamais se assumiu como tal, virou réu de si mesmo, e o Brasil, esse país que já dançou forró com a democracia e samba sem a censura, assiste ao julgamento como quem revê uma tragédia repetida — e ainda assim se surpreende com o final.
E se no Brasil a gente se enrosca com ônibus e ex-presidentes, no palco internacional a guerra fria ganhou novo aquecimento: a Rússia, com seu casaco de inverno e sua pose de urso ferido, rosnou contra os Estados Unidos e anunciou: “Agora é pra valer, vamos instalar mísseis na Europa”.
Moscou, que jurava amor platônico à paz armada, resolveu quebrar a aliança como quem rasga cartas de amor em praça pública.
E os EUA? Bem, fazem o que sempre fizeram: apontam o dedo, sorriem de canto e fingem que o mundo é uma partida de pôquer onde só eles podem blefar.
A metáfora do dia?
O planeta virou um barril de pólvora em promoção: compre um míssil, leve dois discursos inflamados.
Enquanto isso, os ventos da diplomacia assobiam desafinados entre bandeiras tremulando ao sabor dos egos nacionais. As promessas de paz? Foram vendidas no brechó da hipocrisia por preço de banana… radioativa.
E no meio de tudo isso, nós. Brasileiros. Sergipanos. Japaratubenses.
Acordamos, tomamos café com pão dormido e notícias quentes. Pegamos o ônibus atrasado (se ele passa), ouvimos o rádio noticiar o julgamento do ex, e torcemos para que a Rússia não nos inclua no GPS do apocalipse.
Somos sobreviventes do improvável, trapezistas sem rede, cidadãos que pagam imposto em dia para sustentar o circo — sem direito a pipoca.
O mundo virou uma ópera distorcida onde o maestro é surdo, os músicos tocam desafinados e o público aplaude por obrigação.
Mas ainda assim, resiste. Ainda assim, acredita.
Porque no fundo, a esperança é a nossa teimosia mais bonita.
E assim, entre licitações suspensas, tornozeleiras presidenciais e mísseis apontados para o amanhã, seguimos.
De cabeça erguida, mas com o olhar desconfiado.
De coração aberto, mas com a alma calejada.
Porque o Brasil não desiste.
Ele desabafa.
Ele faz meme.
Ele chora e ri.
Mas desiste, não.




