CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de Agosto de 2025

As manchetes do 2º dia de agosto de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 02 de Agosto de 2025
Publicado em 03/08/2025 às 14:43

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Agosto, o mês que já nasce com cara de ressaca de promessas não cumpridas, abriu sua segunda cortina com um teatro de notícias que oscilam entre o tragicômico, o grotesco e o surrealismo climático. O Brasil acordou com um nó na garganta e um café amargo na alma, servido por manchetes que mais parecem roteiros de uma novela escrita por autores embriagados de ironia.

Comecemos pelo novo ponto de coleta de sangue do Hemose, inaugurado… num shopping center. Sim, caro leitor, enquanto o mundo sangra por guerras, desastres naturais e políticos desalmados, aqui a doação de sangue ganha vitrine, ar-condicionado e talvez até uma promoção do tipo: “Doe um litro e ganhe desconto na praça de alimentação.” É o capitalismo hemático! O sangue, esse líquido vermelho de resistência, agora também circula pelas veias do consumo. Quem sabe a próxima campanha venha com cupom de cashback ou brindes na fila da hemodiálise?

Mas, se o sangue é nobre, a vergonha alheia corre pelas veias da política com muito mais pressa. A musa dos escândalos, a inenarrável Zambelli — que já foi musa das armas, patrona das fugas e sacerdotisa do delírio — agora encontra-se nas terras de Roma, não para fazer turismo, mas para aguardar seu próximo capítulo jurídico. O STF ordenou: “Incluam a perseguição armada no pedido de extradição.” Sim, caros leitores, no Brasil do improviso, até os pedidos de extradição vêm em capítulos parcelados. Faltou só o carimbo “continua no próximo episódio”. Enquanto isso, a senhora de fúria bolsonarista aguarda sob o sol romano, quem sabe sonhando com um coliseu onde possa lutar com as leis à base de tweets.

E falando em sol… vamos a Portugal, onde o astro-rei decidiu não brincar de esconde-esconde e resolveu incinerar o país como se fosse um churrasco descontrolado. O governo português, mais suado que turista em fila de alfândega, decretou alerta geral contra os incêndios. São 25 mil hectares queimados — ou seja, uma metáfora ardente do que se tornou o planeta: um grande fósforo prestes a se apagar nas águas do desespero. O calor não é mais metáfora, é aviso de despejo da Mãe Natureza.

A Terra, coitada, está com febre e ninguém aparece com um copo d’água. Ou melhor, aparecem sim, mas cobram tarifa, juros e parcelamento.

E no meio disso tudo, a humanidade caminha trôpega, descalça, tropeçando nos próprios excessos. É sangue que corre no shopping, é fogo que devora florestas, é política que brinca de bang-bang em praça pública e depois pede asilo na Europa. E nós? Seguimos, entre indignados e anestesiados, sorvendo manchetes como se fossem pílulas de um antidepressivo jornalístico. Já não nos chocamos, apenas engolimos.

Mas não sejamos apenas espectadores do absurdo. É preciso doar mais que sangue: doar tempo à reflexão, doar coragem à mudança, doar lucidez à política e, por que não, doar um pouco de poesia ao caos. Porque, no fim das contas, é a poesia que nos impede de incendiar por dentro diante das labaredas do mundo.

E assim, entre labaredas portuguesas, tiroteios metafóricos e gotas de esperança em bolsas de sangue refrigeradas, seguimos. Porque a crônica da vida é escrita com suor, sarcasmo e, acima de tudo, resistência e esperança.