CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 1° de Agosto de 2025

Agosto de 2025 chegou.

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 1° de Agosto de 2025
Publicado em 02/08/2025 às 10:24

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Agosto chegou com cara de janeiro mal resolvido, trazendo nas mãos um buquê de espinhos e nas costas uma mochila cheia de boletos e promessas não cumpridas. Primeira sexta-feira do mês e o céu já derrama suas lágrimas em forma de alerta meteorológico. Sergipe, esse pequeno coração do Nordeste, prepara o guarda-chuva e a paciência: o céu promete cair em cântaros e os ventos soprarão como se fossem os próprios gritos dos deuses cansados da política.

A previsão é clara como lama: chuvas de até 50 milímetros por dia e ventos que podem levar embora os telhados, as certezas e até a dignidade de quem acreditou que agosto começaria leve. O clima, como o Brasil, anda bipolar: ora seca, ora enchente; ora esperança, ora tarifa.

Falando em tarifa… a conta d’água em Sergipe subiu. De novo. Mais uma vez. Como se a água que escorre da torneira tivesse passado por um spa de luxo, feito tratamento com sais do Himalaia e recebido massagem de golfinhos. O povo, esse herói silencioso da resistência nacional, agora toma banho com cronômetro e escova os dentes com gotas. Água virou ouro líquido, mas sem cofre para guardar. Quem segura essa enxurrada de aumentos é o bolso do trabalhador, que já virou peneira de tanto furo.

Enquanto isso, lá em São Cristóvão, no estado de Sergipe, a Praça São Francisco celebra 15 anos como Patrimônio da Humanidade. Ah, se as pedras daquela praça falassem… Contariam histórias de reis, de padres, de romarias, de forrós e de promessas. Mas também sussurrariam as mágoas da cidade histórica esquecida nas entrelinhas das verbas públicas. Patrimônio, sim. Cuidado, nem tanto. É como um avô centenário que a gente orgulha de mostrar na foto, mas esquece de visitar no domingo.

E como num samba desafinado, a política internacional entrou no compasso da tensão. Putin — aquele maestro das manobras geopolíticas — anunciou a produção em massa de mísseis hipersônicos. Dizem que são 10 vezes mais rápidos que o som. Mais velozes que a diplomacia, mais perigosos que a ignorância e mais frios que a guerra silenciosa que se trava entre os poderosos do mundo. O planeta, esse tabuleiro de xadrez nuclear, anda com as peças soltas e os reis cada vez mais lunáticos. Enquanto os mísseis voam, as esperanças caem.

Na Colômbia, o ex-presidente Álvaro Uribe foi condenado. Prisão domiciliar de 12 anos por fraude e suborno. Parece até série da Netflix: ex-presidente, escândalo, casa grande com tornozeleira. A política latino-americana, meus caros, é uma novela que mistura Narcos com House of Cards, temperada com muito realismo mágico e pitadas de surrealismo cínico.

No Brasil, a novela do 8 de Janeiro continua. A anistia? Rejeitada por 55%, aceita por 35%, e os outros 10% fingem que não viram. O Datafolha mostra que a memória do povo brasileiro tem prazo de validade curto, como iogurte de mercado em promoção. A cada nova pesquisa, a rejeição encolhe e a anistia ganha fôlego. É o esquecimento vestido de perdão. É a história sendo reescrita por quem gritou, quebrou e depois pediu selfie com farda alheia.

Agosto começou assim: entre trovões e sorrisos falsos, entre praças que brilham na UNESCO e contas que ardem no bolso. Entre mísseis hipersônicos e baldes para conter goteiras. O mês mais longo do ano não mede tempo em dias, mas em paciência.

Que venha agosto com seus ventos fortes, mas que não leve embora o que ainda nos resta de bom senso. Que as águas lavem, mas não levem. Que a praça continue sendo do povo e não apenas do marketing cultural. Que a anistia não seja um disfarce para a impunidade e que os líderes aprendam, enfim, a não brincar com pólvora em tempos de seca emocional.

Porque agosto é isso: um mês que exige casaco, guarda-chuva, filtro solar, oração e, sobretudo, resistência.