CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 31 de julho de 2025
As notícias no apagar das luzes de julho de 2025.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE / 31 DE JULHO DE 2025
Julho, com suas vestes de céu ameno e tardes douradas, faz as malas em silêncio. A última página do seu calendário esvoaça como folha levada pelo vento, enquanto agosto, com cara de mês que exige contas e coragem, já espia pela fresta da porta. E assim, no apagar das luzes do sétimo ato do ano, os noticiários dançam sua valsa costumeira entre o riso nervoso e o choro contido.
Na Grande Aracaju, o transporte público virou novela mexicana sem dublagem: o Tribunal de Contas achou um sobrepreço que caberia dentro de um trio elétrico — R$ 28,5 milhões que deveriam estar levando o povo ao trabalho, mas foram passear no país das licitações tortuosas. Ônibus elétricos? Só se for para carregar a paciência do povo, que há anos anda a pé, tropeçando na esperança.
Na Avenida Anísio Azevedo, a obra da Iguá parece aquele parente que promete “só mais um pouquinho e já termino” enquanto a poeira invade os pulmões e o buzinaço vira trilha sonora do caos urbano. Aracaju vive, mas respira com dificuldade.
Em contrapartida, Sergipe serviu de cenário para a prisão cinematográfica de um faccionado vindo lá do Mato Grosso. O sujeito atravessou estados como quem troca de roupa, até cair nos braços da lei em terras sergipanas. A Justiça, às vezes, acerta o passo — ainda que de salto alto em paralelepípedo.
No teatro internacional, Trump resolveu brincar de imperador romano. A famosa Lei Magnitsky foi o novo tridente do ex-apresentador , agora presidente outra vez, lançado contra Alexandre de Moraes. E como num jogo de espelhos geopolíticos, o governo Lula ensaia uma defesa não apenas do ministro, mas da honra nacional de cabeça erguida.
As redes sociais, esse termômetro de paixões e fake news, revelaram que 60% dos internautas tupiniquins ficaram do lado de Moraes — uma rara união entre memes, hashtags e indignações sinceras. A democracia, por ora, ganhou um biscoito.
E se o céu político parecia nublado, eis que o IBGE trouxe um raio de sol: o desemprego caiu para 5,8%, a menor taxa da série histórica. Milagre? Não. Mas um alívio no bolso de milhões de brasileiros que agora podem sonhar com o feijão na panela e talvez um frango no domingo. A carteira assinada voltou a sorrir — tímida, mas autêntica.
Enquanto isso, Lucas Paquetá driblou as acusações na Inglaterra e saiu limpo, como quem lava a alma em córrego de justiça. Nada de cartões amarelos encomendados — apenas a emoção rubra de quem agora pode voltar a campo sem carregar o peso da dúvida.
Trump, entre um tweet e um tarifaço, estendeu a mão à presidente do México. Pausa de 90 dias para negociações. É o famoso “vamos conversar antes de quebrar os pratos”, enquanto o mundo observa com o dedo no botão do mute.
Do outro lado do planeta, Mianmar mergulha em sombras. Lei marcial, estado de emergência, a democracia soterrada sob o peso das armas e da repressão. Quando a liberdade sangra, o mundo costuma olhar e suspirar, mas raramente age.
Nos Estados Unidos, uma tragédia arrancou o chão dos corações: uma explosão numa usina de biocombustível levou um pai e suas duas filhas — que o esperavam para uma consulta médica. O relógio parou para aquela família. E nós, do lado de cá, apenas sentimos um silêncio que nem as sirenes dos bombeiros conseguiram apagar.
No Canadá, sopros de esperança: o país acena positivamente para o reconhecimento do Estado Palestino. Um gesto simbólico, mas que pode reescrever capítulos inteiros da geopolítica. Trump torceu o nariz e ameaçou travar acordos, como quem diz “ou meu jogo ou ninguém joga”. A diplomacia internacional é, muitas vezes, um tabuleiro de xadrez onde as crianças pagam pelas brigas dos reis.
E por fim, um voo com destino à Holanda pousou antes — em solo e em susto. Turbulência forte, passageiros feridos, urgência e oração. Aviões, como a vida, nem sempre seguem plano de voo.
Julho despede-se como ator cansado, mas digno. Fez rir, fez chorar, fez pensar. Foi mês de curvas fechadas e retas abertas. Um mês que deixou lições entre os escombros das manchetes: que a justiça ainda pode surpreender, que a política ainda confunde, que a economia respira e que a vida, essa eterna passageira do improvável, segue em frente.
Ao longe, agosto se aproxima — com seus ventos, suas promessas, seus boletos. Que venha com menos tragédia e mais humanidade. Que venha com menos tarifaço e mais abraço. Que venha, enfim, com mais Brasil e menos Brasilidade forçada.
Porque viver neste país é como andar de ônibus em licitação duvidosa: a gente sabe que vai chegar… mas nunca pelo caminho mais fácil.




