CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de julho de 2025
Poesia e prosa nas lágrimas e sorrisos das notícias do domingo 27º dia de julho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Ah, domingo… esse velho senhor de pantufas e alma contemplativa, que chega com cheiro de café coado na hora e saudade da infância no quintal. Mas o 27 de julho de 2025 não veio de mãos dadas com a calmaria. Chegou como um telegrama urgente do destino, escrito em caixa alta e selado com lágrimas, suor e chocolate derretido.
As meninas do vôlei brasileiro entraram em quadra como guerreiras de um romance épico, vestidas de esperança e armadas com saques cortantes. Venceram o primeiro set com a leveza de uma borboleta que sabe o caminho do sol. Mas eis que a Itália, vestida de drama e molho de tomate apimentado, virou o jogo como quem vira a página de um livro que insiste em não ter final feliz. Ficamos com a prata… mas não há nada de prata em um coração que sonhava com o ouro. Ainda assim, brilharam. E brilhar, às vezes, é resistir mesmo quando a luz parece ter se apagado.
Enquanto isso, no salão nobre das raquetes, Hugo Calderano dançava um tango de precisão com um japonês que parecia ter saído de um anime sobre disciplina e técnica. Foi duelo de titãs, mas o nosso Hugo virou samurai por um dia e, com golpes certeiros, trouxe o título pra casa. Um brasileiro vencendo na Argentina? Isso sim é driblar a geopolítica com estilo!
Mas nem só de vitórias vive a crônica — e a vida, como sabemos, é uma colcha costurada com linhas de euforia e pontos de dor. No litoral sergipano, uma tartaruga foi resgatada de uma rede de pesca por uma professora aposentada. Sim, enquanto políticos se emaranham em discursos vazios, foi uma mulher de cabelos brancos que salvou uma vida. Maria das Graças, nome de santa e gesto de heroína. A tartaruga voltou ao mar com a mesma dignidade que muitos de nós sonham reencontrar: nadando contra a corrente, mas livre.
E falando em liberdade, Brasília reabriu a Praça dos Três Poderes para o povo. Mas com grades. É como servir feijoada sem farofa: tem gosto de festa, mas sabor de censura. Grades visíveis para esconder medos invisíveis. Um país que reabre suas praças com cercas é um país que ainda teme o próprio povo — e talvez com razão.
Na Alemanha, o trilho da vida foi interrompido por um acidente de trem. Vidas ceifadas num estalo de ferro e aço, como se o destino tivesse puxado o freio de emergência com brutalidade. Já em Gaza, a fome é um grito mudo que ecoa nos corredores dos hospitais. Médicos desmaiando, bebês reduzidos a pele e osso. Um inferno onde os anjos têm jaleco e os demônios vestem gravatas em gabinetes distantes.
Lá do outro lado do mundo, a Rússia retomou voos comerciais para a Coreia do Norte. Um gesto simbólico, talvez? Ou só um plano de milhagem entre regimes que trocam apertos de mão frios e olhares calculistas? Corações voam, mas nem todos pousam em pistas de liberdade.
E enquanto o mundo gira entre tragédias e tratados, um doce brasileiro, o tal “morango do amor”, viralizou nas geleiras do Canadá. Um bombom que derrete a saudade e endurece o brigadeiro. Em Toronto, três brasileiras acenderam o forno da memória afetiva, e o resultado? Cem unidades evaporaram mais rápido que promessa de político em palanque. Entre caldas quentes e recheios firmes, o morango do amor provou que até a gastronomia sabe adoçar a alma de quem foi embora, mas nunca saiu de casa.
E assim termina o domingo — com gosto de morango, cheiro de mar e um punhado de perguntas sem respostas. Será que um dia venceremos de virada? Será que soltaremos todas as tartarugas presas nas redes da ganância? Será que as grades da praça cairão junto com os muros dos privilégios?
Talvez sim. Talvez não. Mas enquanto houver poesia na resistência, humor no caos e amor no morango, seguimos.
Com fé, crítica e uma pitada de esperança em pó.
Boa semana, caro leitor.
Que sua vida tenha menos cercas e mais tartarugas livres.
Que seus trens não descarrilem.
E que seus domingos tenham sempre gosto de vitória, mesmo que ela venha embrulhada em prata.
Antonio Glauber Santana Ferreira – o cronista que escreve com o coração e tempera com ironia.




