CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de julho de 2025
As páginas do sábado dia 26 de julho de 2025
A Manchetes do dia 26 de julho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No palco do planeta, onde a vida é um teatro cômico-trágico dirigido por roteiristas bêbados de poder, o dia 26 de julho de 2025 se apresentou com um enredo digno de aplausos, vaias e gargalhadas nervosas.
Comecemos pelo Brasil, esse país que insiste em driblar as estatísticas com a elegância de um passe de Gabi. Contra o Japão, o tie-break foi mais do que um set — foi um duelo filosófico entre a disciplina oriental e a emoção tropical. Vencemos. Com suor, fé e umas preces enviadas via Wi-Fi diretamente a São Judas Tadeu, o padroeiro das causas perdidas e das bolas fora da quadra. Agora enfrentaremos a Itália, e o coração da nação já ensaia sua própria coreografia entre a tensão e a esperança. O vôlei brasileiro, ah, esse sim ainda nos faz levantar da cadeira — diferente do Congresso, que só se levanta pra sair correndo da responsabilidade.
Enquanto os heróis do saque e da manchete faziam história, uma outra protagonista roubava os holofotes nas avenidas de Aracaju: uma capivara. Sim, uma capivara desfilando pela Ivo do Prado, acompanhada por policiais militares como se fosse a primeira-dama do Pantanal em visita diplomática à capital sergipana. Em tempos de caos, corrupção e colapso climático, é uma ironia doce e agridoce ver um bicho tão brasileiro sendo escoltado como se fosse patrimônio da paz mundial. Dava gosto ver o povo tirando foto, como se dissesse: “pelo menos essa capivara não nos rouba”.
Falando em roubo, a criatividade do povo brasileiro segue campeã. Em Porto da Folha, inventaram uma rifa que mais parece roteiro de série da Netflix: prêmio de mais de 20 milhões de reais, fazenda com sistema de irrigação, tratores, carros de luxo… Só faltou um pedaço da Lua e um abraço do Lula. A Polícia Civil, que não ganhou nem uma raspadinha, abriu inquérito para investigar. A dúvida que paira no ar: será que essa rifa foi feita por um gênio do marketing ou um aspirante a Al Capone do Sertão?
Já em Brasília, a Praça dos Três Poderes foi trancada como se a democracia estivesse em quarentena. A decisão veio do senhor Alexandre de Moraes, aquele que já virou sinônimo de pesadelo em grupo de zap bolsonarista. Deputados aliados do ex-mito acamparam por lá — talvez buscando um Wi-Fi da revolução ou só um banho de sol na capital. Ibaneis, o governador, apareceu de madrugada para negociar a desocupação. Brasília parece cada vez mais um episódio de The Walking Dead, só que com zumbis de terno e gravata.
Enquanto isso, nos EUA, passageiros foram evacuados de um avião que decidiu, no meio da decolagem, que preferia continuar na Terra. Um princípio de incêndio e uma falha no trem de pouso deram o tom do “tudo sob controle, menos o controle”. Um retrato aéreo da era moderna: queremos voar, mas os parafusos estão soltos — tanto nas aeronaves quanto nas instituições.
Do outro lado da América Latina, o Equador deportou mais de 800 prisioneiros colombianos como quem devolve encomenda errada pelos Correios. A Colômbia chiou, acusou violação do direito internacional, e o Equador respondeu com a mesma elegância de quem bloqueia o ex no WhatsApp: “avisei, sim”. A fronteira virou um campo de guerra diplomática onde cada lado briga pelo título de “quem tem menos moral pra reclamar”.
E assim foi o dia 26 de julho de 2025 — um espetáculo tragicômico onde capivaras têm mais segurança que professores, rifas oferecem mais que o salário mínimo, e políticos continuam brincando de pique-esconde com a ética. Mas há beleza nesse caos, há poesia nesse pântano: somos o país onde o improvável acontece e o impossível sempre tenta se disfarçar de normal.




