CRÔNICA
Crônica do Professor Antônio Glauber sobre as notícias do dia 25 de julho de 2025
25 DE JULHO EM NOTÍCIAS
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era uma vez uma sexta-feira embalada no tamborim do absurdo, tocada por anjos sem fé e demônios de gravata. O relógio marcava 25 de julho de 2025 e, enquanto o mundo girava meio tonto, o Brasil dançava no compasso desafinado do realismo mágico – onde a Previdência remenda buracos com mutirão, um senador brinca de esconde-esconde internacional, e Trump volta ao palco político como quem ressurge de um pesadelo sem botão de soneca.
Em Aracaju, o INSS resolveu tirar a fantasia de tartaruga sonolenta e vestiu o macacão de mutirão. Das 7h às 16h, a Previdência Social abriu as portas com a cara de quem quer ser útil – ou pelo menos fingir que tenta. Era perícia pra cá, avaliação pra lá, um carrossel de papéis, carimbos e suspiros. Velhinhos com radiografias na sacola e esperança no bolso voltavam a sorrir… ou pelo menos a fazer careta de quem ainda acredita. Parecia até milagre de fila: se andasse mais rápido, virava procissão.
Mas nem só de fila vive o Brasil. Do outro lado do teatro, sob os refletores do Supremo Tribunal Federal, o ministro Alexandre de Moraes, conhecido como o Dom Quixote togado, empunhou sua espada de decisões e cortou o crédito do senador Marcos do Val. Cartões bloqueados, contas trancadas – o moço agora só compra fiado na padaria do destino. É que o nobre senador, em vez de respeitar as medidas cautelares, pegou a mala e foi fazer turismo fora do script. Fugiu do Brasil como quem escapa de prova de matemática, esquecendo que, neste jogo, o juiz também é o dono da bola.
E como se a novela tupiniquim já não fosse suficiente, do lado de lá da cerca, os Estados Unidos assistem ao remake do filme “A Volta dos Que Não Foram: Trump Reloaded”. A repressão ganhou bigode e botas, e os imigrantes mexicanos viraram figurantes de um roteiro cruel. Mas eis que o México, esse país de alma ardente e coração florido, decide jogar com cartas mágicas: criou uma loteria com R$ 126 milhões em prêmios para ajudar seus filhos exilados. Uma Mega-Solidariedade, onde o bilhete vale mais que discurso, e a sorte se veste de esperança.
Enquanto isso, o mundo gira, a hipocrisia faz stretching e a justiça tropeça nas próprias togas. O senador que deveria dar exemplo brinca de mochileiro internacional; o povo que devia ser prioridade vira estatística na planilha do sistema. E lá no México, num canto onde a esperança dança com mariachis, a solidariedade vira prêmio de loteria – porque neste mundo torto, até o amor ao próximo precisa de sorte.
Mas não percamos a poesia: ainda há mutirões, ainda há bilhetes premiados de compaixão, ainda há juízes que não dormem no ponto. Ainda há crônicas para lembrar que o riso é resistência, a metáfora é escudo, e a ironia, meu caro leitor, é o último gole de lucidez no copo vazio da realidade.
E assim seguimos, entre filas, fugas e fé, tentando sobreviver ao noticiário como quem tenta andar de bicicleta num terremoto. No fim das contas, o Brasil é isso: um samba triste tocado com pandeiro de esperança.
Amém. Ou melhor: amém e boa sorte na loteria da dignidade.




