CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 19 de julho de 2025
Publicado em 20/07/2025 às 11:23


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No picadeiro geopolítico deste 19 de julho, os palhaços não usam nariz vermelho, mas sim gravata, fones de ouvido em tradutores simultâneos e uma aptidão desgraçada pra empurrar o planeta pro abismo com um sorriso cínico no rosto.

Enquanto a Ucrânia tenta, mais uma vez, acender vela em cemitério de tanques e esperanças, Zelensky canta um bolero diplomático, oferecendo à Rússia mais um convite para dançar. O problema é que o Kremlin ainda tá de braço cruzado no canto do salão, de costas pro som, bufando fumaça e afiando a baioneta. Paz, nesse tabuleiro, é uma peça de xadrez com a cabeça quebrada.

Mas passemos da guerra à guerra disfarçada: a economia. A AGU resolveu puxar o fio do novelo financeiro que liga os “espertinhos” que souberam antes de todos sobre o tarifaço do Trompete Laranja – sim, aquele mesmo, o presidente que, na Casa Branca, tenta se tornar o maestro do caos mundial. Houve quem fizesse fortuna da noite pro dia, surfando no tsunami cambial como se soubesse o horário exato da onda. Coincidência? Só se a Terra for plana e o dólar flutuar por milagre.

E já que o tema é milagre, vamos falar do ENEM dos concursos. O apocalipse das provas objetivas ganha um novo capítulo: inscrições encerradas, e Sergipe será palco de um duelo moderno entre gladiadores do saber. Gente estudando mais do que seminarista em véspera de ordenação. São vagas douradas, com salários que começam em R$ 4 mil e sobem como foguete em direção aos R$ 16 mil. Mas, como toda corrida do ouro, nem todo mundo vai achar pepita – alguns vão tropeçar no barro da ansiedade e outros cair no poço da desigualdade.

Enquanto isso, no asfalto escaldante das rodovias sergipanas, a fauna tenta resistir aos descuidos da espécie humana. Mais de 200 animais foram resgatados em 2025. O que deveria ser estrada virou campo minado para jumentos, vacas e porcos abandonados – vítimas de tutores que tratam a vida como trapo. A cada bicho salvo, um grito de alívio. A cada bicho atropelado, um epitáfio não escrito na beira da BR.

É estranho viver num mundo em que até a paz precisa agendar reunião, o real vale menos que o dólar profanado por insiders, o Estado oferece empregos com salário de rei e cara de esfinge, e o bicho solto paga pelos pecados de gente frouxa.

Enquanto isso, seguimos na montanha-russa da realidade, com cinto frouxo, fé firme e um humor de quem já entendeu que o Brasil é um grande enigma em forma de samba, onde o refrão nunca rima, mas a gente canta assim mesmo.