CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 17 de julho de 2025
Publicado em 18/07/2025 às 18:05


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


17 de julho e o Brasil amanheceu como um avião no saguão de Aracaju: cheio, barulhento e prestes a decolar… ou a atrasar, como sempre. O aeroporto da capital sergipana virou uma passarela de malas e esperanças, com passageiros chegando aos montes, enquanto a pista do país parecia mais uma esteira rolante quebrada — gira, gira, mas não sai do lugar.

E por falar em lugar nenhum, a Assembleia Legislativa de Sergipe aprovou mais uma rodada de empréstimos. Quase R$ 2 bilhões! É dinheiro que não se vê nem em sonho de Mega-Sena acumulada. A justificativa? Investimentos. A tradução? Vamos remendar os buracos com fita isolante dourada, enquanto a dívida dança um frevo nos ombros da população. Sergipe, esse pequeno barco de papel, navegando em mar de cifras e promessas, rema com os remos da esperança furada.

Mas quem roubou a cena foi o velho truqueiro do norte, Mr. Trump, que resolveu brincar de rei do tabuleiro global. O homem, que já confundiu Irã com IRA e achava que a Amazônia era um condomínio, mandou uma cartinha para Bolsonaro como quem envia bilhete de colégio: “Quer ser meu amigo? Sim [ ] Não [ ] Talvez [ ]”. No bilhete, Trump exige que o processo contra seu comparsa tropical seja encerrado “imediatamente”, como quem pede pizza num domingo de ressaca. Não faltou drama nem ironia — porque quando um presidente estrangeiro interfere na Justiça de outro país, isso se chama o quê? Diplomacia? Não, meus caros. Isso se chama chantagem com endereço diplomático e carimbo de arrogância.

A ministra Gleisi, com sua verve de pitbull institucional, chamou o gesto de “chantagem”, e Lula — ah, Lula! — subiu ao púlpito da televisão como quem sobe num palanque de epopeia. Chamou Trump de imperador sem coroa, alfinetou os “traidores da pátria” com o olhar de quem mastiga gravetos ideológicos e, com voz embargada de indignação, tentou juntar os cacos do orgulho nacional, enquanto o dólar fazia piruetas na bolsa de valores e o brasileiro, coitado, contava moedas pra comprar o pão que já vem fatiado e inflacionado.

E como a vida é feita de ironias, o próprio Trump, o touro vermelho da Casa Branca, foi diagnosticado com insuficiência venosa crônica. As veias que deveriam bombear a soberba começaram a falhar, como se até o corpo dissesse: “Baixa a bola, campeão.” A medicina, sábia e imparcial, mostrou que nem todo magnata escapa das veias do destino. Quem sabe agora ele pare de querer sufocar o Brasil com meias-compressoras diplomáticas.

Enquanto isso, no cenário internacional, Irã e Israel continuam trocando mísseis como se fossem figurinhas da Copa do Mundo do Apocalipse. Um relatório dos EUA revelou que apenas uma das três usinas nucleares foi destruída. Ou seja, jogaram três bombas e só acertaram uma. A pontaria anda igual à lógica da guerra: torta, burra e cheia de eco. O líder supremo iraniano já avisou que, se vier mais uma pedra, devolve com montanha. É o jogo do “quem grita mais explode primeiro”.

No final do dia, restava ao povo comum, esse passageiro sem mapa nem milhagem, apenas assistir. Enquanto os grandes líderes do mundo brincam de Risiko com a vida alheia, o brasileiro continua tentando pagar o boleto, segurar o emprego e não infartar diante do noticiário. O mundo parece um avião sem piloto — e o comissário ainda pede aplausos ao pousar.

Mas eu, de Japaratuba, ainda acredito na poesia das pequenas resistências. No menino que sonha em ser piloto, na senhora que planta couve como quem cultiva fé, e na esperança que insiste em embarcar sem passaporte rumo a um futuro que não precise de aduana nem de perdão alfandegário.

Porque enquanto houver um punhado de brasileiros que ainda acredita no amanhã — mesmo que venha com turbulência —, o voo da dignidade não será cancelado.