CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de julho de 2025

As notícias do 15º dia de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 15 de julho de 2025
Publicado em 16/07/2025 às 9:07


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era quinze de julho e o noticiário amanheceu como um espelho trincado: refletindo o mundo em pedaços, mas ainda tentando mostrar um rosto bonito. Em Aracaju, a vacina contra o HPV ganhou novos braços a serem abraçados — jovens de 15 a 19 anos que ainda não haviam sido picados pela agulha da prevenção. É bonito ver a ciência tentando vencer o obscurantismo, como um vaga-lume insistente piscando luz na escuridão de grupos de WhatsApp. Que o amor não mate, que o beijo não adoeça, que a juventude seja imunizada antes de ser imolada no altar da ignorância.

Enquanto isso, a Iguá Sergipe foi à Alese com um balde de números e promessas. “Dois meses de operação”, disseram, com o peito estufado como quem entrega uma obra pronta, quando na verdade só ajeitou a placa de “em manutenção”. Faltou só levar um copo d’água potável — porque, até agora, a única água que muita gente viu foi a dos boletos. E nem esses têm sido muito claros.

A Câmara de Aracaju aprovou a LDO de 2026, aquele documento que promete mundos, fundos e, se der tempo, mais uma estátua de bronze para algum político que nunca andou de ônibus. Já em Brasília, o Congresso decidiu que os municípios poderão parcelar os precatórios em prestações que cabem no bolso… dos prefeitos. A PEC virou carnê, e quem espera pra receber segue fazendo o papel de figurante na peça do esquecimento. Afinal, precatório é dívida com CPF e CEP — gente que espera, enquanto o Estado joga dominó com o tempo.

Na vitrine da Justiça, a Procuradoria-Geral da República esfregou as provas do golpe como quem mostra prints no grupo da família. Disseram que os réus deixaram rastros, documentos, digitais e áudios — só não deixaram vergonha. A peça final do xadrez está posta: ou xeque-mate ou pizza no plenário.

Lewandowski, com sua voz de toga aveludada, disse que os ajustes na PEC da Segurança Pública não mudam sua essência. Ora, Ministro, essência não se muda com vírgulas — mas com vícios. Falam em integração das forças policiais, mas esquecem de integrar o povo à paz. Segurança sem justiça social é só um muro mais alto pra esconder a desigualdade.

Na Argentina, Cristina Kirchner e mais oito foram condenados a devolver quase R$ 3 bilhões. Uma dívida que não se paga nem com tango nem com lágrimas. Se não quitarem, perdem bens — talvez até o busto dourado nas praças, onde pombos já fazem oposição há anos.

E então, do outro lado do planeta, um maratonista de 114 anos — sim, cento e quatorze! — morreu num acidente na Índia. O homem que desafiou o tempo perdeu para o acaso. Que ironia feroz: escapou do relógio, mas tropeçou na pedra. Que seja lembrado como metáfora viva do que é persistir, mesmo quando o mundo tenta nos frear com buracos.

E como cereja da desgraça, dois britânicos foram condenados por cortar a árvore centenária do filme “Robin Hood”, a lendária Sycamore Gap, que era abraçada por turistas e reverenciada pelo vento. Disseram que foi culpa da bebida. Como sempre: o álcool, esse advogado de bêbados e canalhas, serviu de bode expiatório para uma serra sem coração. Cortaram a árvore, mas quem sangrou foi a memória.

E assim terminou o dia: com vacinas, dívidas, cortes, condenações e a eterna luta entre justiça e espetáculo. O Brasil segue de pé, mas manca. O mundo continua girando, mas cambaleia. E nós? Seguimos cronistas, sentindo tudo — inclusive o que ainda não foi dito.