CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de julho de 2025
Publicado em 14/07/2025 às 7:08


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Era um domingo com cara de guitarra distorcida e alma de poema. O calendário gritava 13 de julho, Dia Mundial do Rock, e até o sol parecia usar jaqueta de couro. O céu abriu como quem diz: “Vamos fazer barulho?”, e o Brasil respondeu com uma mistura de solo, silêncio, lágrimas e gritos engasgados na garganta do mundo.

Mas se o rock é rebeldia, resistência e ressurreição, Elisa foi o riff certeiro que rasgou o véu da invisibilidade nordestina. Ex-aluna minha, cria do saber entre a maresia de Pirambu e o giz de sala, Elizabete Santos Feitosa brilhou no “Quem Quer Ser um Milionário” do Domingão do Hulk. Cravou 500 mil no peito da descrença e quase levou o milhão. Mas quem disse que dinheiro define grandeza?

Elisa é o acorde mais bonito desse domingo elétrico. Orgulho de Pirambu, orgulho de Sergipe, orgulho do saber acadêmico e popular. Se fosse música, seria balada com refrão de superação e ponte de resistência. Uma sinfonia composta entre merendas modestas e perguntas que exigem mais do que decoreba: exigem alma.

Enquanto Elisa tocava o coração do Brasil, em outro palco — o do futebol bilionário — Chelsea e PSG duelavam como dois dragões cuspindo euros. A Copa do Mundo de Clubes virou um episódio de “Game of Thrones”, com grama sintética e arquibancada VIP. No fim, deu Chelsea, provando que quem tem mais cotação ganha até quando o juiz é neutro. E foi nesse espetáculo onde o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, tentou roubar os aplausos — e recebeu vaias dignas de um solo de protesto punk. A plateia foi o coro afinado da democracia sensata.

Enquanto isso, na coxia do poder, Lula reunia sua banda de ministros e o maestro do Banco Central para ensaiar a partitura do “tarifaço”. Os EUA aumentaram o volume das tarifas, e o Brasil tenta agora regular o tom. Vem aí um decreto de reciprocidade. O problema é que a diplomacia anda sem metrônomo, e, quando desafina, quem paga o ingresso é sempre o povo.

Mas o que realmente rasgou a alma neste domingo de solos e sombras foi a tragédia em Gaza. Um míssil israelense, desgovernado ou convenientemente errado, atingiu crianças que buscavam água. Água. Em um mundo onde há quem morra de sede e outros de excesso. Em nome da segurança, matam-se sonhos. Em nome da paz, explodem-se vidas. O projétil errou o “alvo” — mas acertou em cheio a humanidade. E doeu.

A justificativa oficial veio com cheiro de desculpa velha: mau funcionamento. Como se matar inocentes fosse pane técnica. Como se a dor pudesse ser deletada com um comunicado militar. O céu de Gaza chorou. E o mundo fingiu que era garoa.

Mas entre bombas, vaidades e vaias, há Elisas. Há resistência nos diferentes lugares do Brasil, nas escolas de lata e na coragem de sonhar em meio às curtas veredas das oportunidades. Elisa venceu com inteligência. Venceu com a força de quem aprendeu mais do que se ensinou. Ela é o hino nacional de uma nova geração que, mesmo sem palanque ou patrocínio, canta afinado em meio ao caos.

E que o rock nos lembre que ainda há tempo para mudar o tom da história. Que se afinem as guitarras, mas também os corações. Que troquemos os mísseis por livros, as mentiras por perguntas, os aplausos vazios por gestos reais.

Porque enquanto houver uma Elisa em cada sala, uma criança buscando água, um povo sendo vaia contra o poder que não os representa — ainda há melodia. Ainda há esperança.


🎸 Entre o solo da esperança e os acordes da revolução, sigo escrevendo com amor, dor e um pouco de distorção.
Antonio Glauber Santana Ferreira – Professor, cronista e roqueiro de alma em Japaratuba-SE.