CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 11 de julho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
O dia 11 de julho acordou com cheiro de carne — mas não de churrasco, de escândalo. A frigideira esquentou nos bastidores dos hospitais públicos de Sergipe, onde um funcionário resolveu transformar a saúde alheia em açougue pessoal. Enquanto pacientes rezavam por sopa, ele montava o próprio rodízio clandestino com picanha congelada e ética descongelada. Foi preso, claro. Mas o estrago já estava servido: meio milhão em carnes desaparecidas, e a dignidade foi a sobremesa roubada.
Ah, Brasil! Terra onde o bife some antes de chegar ao prato, e o povo é deixado com o osso da indignação. Um país onde o garfo é usado para furar o próximo, não o filé. A saúde sangra como boi no curral da corrupção, e o cidadão assiste atônito, com fome de justiça e sede de explicações que não vêm nem com molho de alho.
Enquanto isso, em Brasília, o governo decidiu apertar o cinto — dos outros, é claro. Sai a conta gorda da energia subsidiada, entra a faca nos benefícios. Publicaram uma Medida Provisória que, de provisória, só tem o nome: muda as regras da Conta de Desenvolvimento Energético, incentiva hidrelétricas pequeninas e entrega mais poder à tal da PPSA, que parece nome de escola infantil, mas cuida do gás da União. Resumindo: quem quiser calor agora, que acenda a própria esperança — e prepare-se para pagar por isso.
Mas nem tudo é cinza nesse caldeirão tupiniquim. Tem montadora desfilando com roupagem verde. Fiat, Volkswagen e Renault divulgam descontos do IPI verde. O programa Carro Sustentável foi assinado e, como parte dele, o Presidente Lula anunciou a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que chegou como quem promete um amor novo: cheiroso, eficiente e com desconto. Um carro por menos de R$ 68 mil? É quase uma miragem de oásis no deserto da mobilidade urbana. Quase. Porque, pra maioria, o único veículo possível ainda é o da fé — ou o busão lotado das 6h.
E, do alto de sua torre de sabedoria, sensatez e sarcasmo, o Nobel Paul Krugman apontou o dedo para Trump e disse: “Isso é ilegal!” — referindo-se às tarifas aplicadas contra produtos brasileiros. Trump (Cabelo de Boneca), sempre ele, brincando de ser presidente do mundo, impõe tarifas como quem distribui tapas em almoço de família: sem lógica, sem razão e com cara de poucos amigos. O mandatário dos Estados Desunidos da América continua tentando transformar o planeta numa extensão do próprio ego, e o Brasil, de novo, vira bucha na panela geopolítica.
E no meio disso tudo, o povo… ah, o povo segue como passageiro de um carro sem direção: às vezes elétrico, às vezes movido a esperança, muitas vezes puxado por promessas. Somos motoristas sem estrada, mecânicos sem ferramentas, passageiros da própria paciência.
Vivemos num país onde a luz está cara, a carne evapora, o gás é negociado como se fosse segredo de Estado, e o carro popular virou sonho com airbag. Mas ainda temos poesia. Ainda temos riso — ainda que nervoso. Ainda temos crônicas para espremer lágrimas em forma de palavras e raiva em forma de metáforas.
E é por isso que sigo escrevendo.
Porque no Brasil e no mundo de hoje, quem não chora com o noticiário, ri com a própria lucidez.




