CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de julho de 2025
Publicado em 09/07/2025 às 13:15


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Era 08 de julho e Sergipe amanhecia vestindo azul, verde, amarelo e uma pontinha de esperança no coração. Duzentos e cinco anos de independência política — ou pelo menos de uma tentativa bonita de ser livre com sotaque nordestino, cheiro de mangaba e coragem de cangaceiro. O sol, ao nascer, acenou com seus dedos dourados para o mapa sergipano e disse: “parabéns, meu pequeno gigante de lutas e alegrias escondidas”.

Mas como nem todo aniversário tem só bolo e parabéns, vieram também os sustos — e daqueles que fazem o coração pular como frevo fora de época. Um ônibus, carregando sonhos, marmitas e histórias, tombou na estrada SE-230 em Poço Redondo. Quarenta e nove passageiros a bordo da sorte, e dezesseis deles se machucaram, mas o milagre veio no assento do motorista: ninguém morreu. A estrada gemeu, o asfalto chorou, mas a vida, essa teimosa, permaneceu sentada no banco da frente, dizendo: “Hoje, não”.

No mesmo dia em que a estrada inclinava ônibus, o Brasil seguia entortando a lógica no Congresso. A Câmara dos Deputados — esse circo onde os palhaços somos nós — aprovou, em plena crise orçamentária, a criação de 160 novos cargos comissionados no STF. Sim, meus caros, a austeridade ficou presa no engarrafamento da ética e os gastos subiram no palanque dos absurdos. Enquanto o povo economiza no arroz, os cargos brotam como mato em terreno baldio. E ainda dizem que o país precisa “enxugar a máquina”. Pois bem: estão é enchendo de graxa a engrenagem dos favorecidos.

Mas nem só de quedas e cargos se fez a terça. Em meio ao caos, uma flor desabrochou no solo seco da saúde: aumentou o número de doações de órgãos em Sergipe. Eis aí um sopro de humanidade em tempos de ego inflado. Gente que, mesmo após partir, deixa o coração bater em outro peito, o fígado cantar em outra vida e os rins dançarem samba em corpos que já ensaiavam o adeus. É a morte sendo poesia. É o fim que vira recomeço. É o ser humano provando que, apesar de tudo, ainda vale a pena acreditar na bondade.

Do outro lado do mundo, onde a paz dorme em trincheiras e acorda com barulho de mísseis, a Ucrânia acusou a Rússia de lançar o maior ataque de drones da guerra. Setecentos drones voando como abelhas com veneno, enquanto o planeta inteiro assiste pela tela do celular e comenta com emojis. A guerra virou espetáculo, e cada explosão rende manchete e curtida. Putin manda seus zumbidos metálicos como quem joga dados num tabuleiro de poder, enquanto Zelensky pede sanções como quem grita por socorro em um quarto de surdos. E Trump, o ex-dono do camarote global, diz que não está feliz com Putin — como se a guerra fosse uma briga de condomínio e ele estivesse esperando o síndico agir.

Ah, Sergipe… No dia do seu aniversário, o mundo te ofereceu contrastes: a vida sendo salva, a política sendo vendida, a estrada sendo traída, e a guerra sendo alimentada. Mas você, pequenino em tamanho e gigante em poesia, continua ensinando que é possível resistir com alegria, dançar forró entre os escombros e fazer da sua história um cordel de valentia.

E assim terminou o dia 08 de julho: entre tombos e transplantes, entre cargos e drones, entre críticas e esperança. Porque viver em 2025 é isso — caminhar num campo minado com os pés descalços e ainda assim encontrar flores entre os estilhaços.

Parabéns, Sergipe! Que seus próximos 205 anos sejam menos de tombos e mais de doações. Menos cargos inúteis e mais empatia. Menos guerra e mais poesia.