CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de julho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 05 de julho de 2025
Publicado em 06/07/2025 às 11:13

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

Em um sábado vestido de chuva, com ares de ressaca emocional e sapatos atolados no asfalto da ironia. O calendário insistia no 05 de julho de 2025, mas o Brasil parecia estacionado num limbo entre a tragédia anunciada e o espetáculo da autopromoção. O céu chorava sobre Sergipe e o mundo soluçava por dentro.

Na Barra dos Coqueiros, a Praia da Costa foi pintada não pelo pincel do pôr do sol, mas por um derrame de tinta escura e fétida: a borra asfáltica resolveu sair em passeio pelas ondas, deixando sua assinatura grotesca na areia. Era como se o progresso tivesse feito cocô no litoral. A prefeitura, com seus panos quentes e esfregões metafóricos, informou que “tomou providências”. Mas quem limpa a alma da natureza ferida? Quem lava o sal da revolta de um mar que grita por respeito?

Enquanto isso, o enredo político ganhava contornos de novela turca. De ex-prefeito de Pirambu — município sergipano de pouco mais de 8 mil habitantes — para o mundo, ou melhor, para o Rio de Janeiro, André Moura foi promovido a “supersecretário”. Um homem, três cargos e muitas alianças. Já acumulava as pastas de Governo e Representação em Brasília, e agora, após a exoneração de Washington Reis (MDB), foi nomeado também secretário interino de Transportes. Parabéns para ele !

No teatro diplomático internacional, o Brasil, de eterno figurante global, tentava se passar por protagonista na cúpula do BRICS. Prometia salvar o planeta com acordos sobre saúde, meio ambiente e inteligência artificial. Mas enquanto discursava com palavras recicláveis, as guerras reais — aquelas que arrancam vidas e destroem lares — eram varridas para os bastidores, escondidas atrás das cortinas da geopolítica. A COP30 virou cartaz de propaganda verde, com letras em neon e fundo de floresta em chamas.

Mas se a ironia no Brasil ainda é tropeço no tapete, no Texas ela virou enchente. O Rio Guadalupe transbordou, engolindo vidas e arrastando 27 meninas que desapareceram como sonhos levados pela correnteza. O governador jurou que não descansará — como se promessa fosse boia salva-vidas num mar de dor. Cinquenta mortos. Um número que não cabe na alma, mas que serve de título para planilhas e manchetes.

O mundo está alagado de vaidade e coberto de asfalto emocional. A política escorre como borra de óleo em calçadões turísticos. Enquanto o mar chora manchas, o céu soluça enchentes, e o povo… o povo seca os pés na lama, sonhando com um domingo de sol.

Talvez — quem sabe? — a esperança venha em forma de onda. Não as de óleo, mas as de mudança. Que lave o asfalto da omissão. Que traga de volta as meninas do Texas, o azul da Praia da Costa, e a poesia esquecida nos discursos dos palanques.

Porque viver, em terras como as nossas, é saber dançar entre marés de decepção e ventos de fé. É resistir com o coração molhado, mas ainda pulsando. É escrever crônicas com palavras sujas de verdade, mas lavadas na espuma da esperança.