CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 04 de julho de 2025
As notícias nas veredas do 4º dia de julho de 2025.
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era uma sexta-feira que amanheceu com gosto de café requentado e cheiro de jornal queimado. O calendário marcava 04 de julho, mas o enredo parecia escrito por um roteirista de tragédias, desses que mistura bangue-bangue, ficção distópica, novela mexicana e jogo de botão da geopolítica mundial. E lá fomos nós, leitores incautos do cotidiano, folhear mais um capítulo do livro chamado Brasil, edição ilimitada e sem revisão ortográfica.
No solo sergipano, um homem com currículo mais extenso que novela de centésimo capítulo — assaltos, furtos, estelionato — encerrou sua trajetória no banco da vida com um confronto policial. Não deu tempo de assaltar mais nada, nem sequer o próprio destino. Morreu, dizem, como viveu: na contramão da esperança, entre o pó da estrada e a sirene da fatalidade. Era egresso do sistema prisional, mas parece que o sistema nunca egrediu dele.
Enquanto isso, nos céus sergipanos, uma aeronave de pequeno porte — dessas que dançam no ar como beija-flor entre roçados — tombou como se o chão tivesse puxado o tapete do céu. O piloto, plantador de horizontes, não pousou como esperava. A morte, essa passageira clandestina, o esperava na curva do vento. Foi mais uma queda, mais um suspiro que perde asas enquanto o asfalto segue de nariz empinado.
Mas nem só de tragédias se fazem as manchetes. Em Aracaju, a Capitania dos Portos trocou de comandante. Luís Felipe de Lima Santos agora segura o leme. Espera-se que ele saiba navegar por águas turvas, mares revoltos e políticos de ondas tortas. Que a bússola da ética o guie mais do que o GPS da conveniência.
Na pista internacional, o presidente Lula botou o pé no acelerador do BRICS, esse carro velho cheio de passageiros novos, e foi falar de transição energética, moeda alternativa e austeridade que, segundo ele, nunca deu certo. E não é que ele tem razão? Austeridade é tipo dieta de blogueira: parece funcionar, mas só emagrece os mais pobres. Enquanto isso, o banco do BRICS vira palco de debates que mais parecem novela de economia, com capítulos longos, falação bonita e resolução nenhuma.
Mas o STF, esse protagonista temperamental da República, não quis ficar de fora do script. Alexandre de Moraes, com sua caneta mágica, suspendeu decretos, IOFs e birras institucionais. Chamou Lula e Congresso pra um café de conciliação. Se vai ser paz ou rinha de galo, ninguém sabe. Mas a democracia agradece o gesto de mediação, mesmo que o jogo ainda esteja no primeiro tempo e o juiz seja também artilheiro, técnico e gandula.
No tablado esportivo, o Fluminense dançou com a bola e venceu o Al-Hilal. Passou pra semifinal da Copa do Mundo de Clubes e ganhou aplausos até de torcedores que só assistem jogo comendo pizza. Já o Palmeiras, coitado, foi eliminado pelo Chelsea com um gol de desvio no fim. Mais uma vez, o Verdão ficou verde de esperança e pálido de frustração. A torcida já criou trauma de inglês, bola e semifinal.
Enquanto no Brasil os times lutam em campo, no Oriente Médio, o Hamas aceitou cessar-fogo proposto pelos EUA. Um alívio momentâneo, como quando a briga de vizinho para e a gente volta a ouvir o canto do passarinho. Mas a paz ali ainda é miragem no deserto: aparece, encanta, mas logo some entre bombas e promessas vazias.
E se o mundo já não estava com os nervos em frangalhos, o Texas, nos Estados Unidos, chorava por seus mortos: enchentes levaram vidas e 23 meninas sumiram num acampamento. A água, que deveria lavar feridas, virou tempestade de saudade. A natureza grita, mas os ouvidos do progresso continuam tapados com cimento e lucro.
E assim seguimos, tropeçando entre manchetes, escorregando nas entrelinhas e tentando respirar entre uma notícia e outra. O mundo é esse romance de capítulos imprevistos, onde heróis morrem, vilões ganham medalhas e os inocentes… bem, os inocentes seguem esperando o próximo amanhecer com fé, café e um jornal amassado no colo.
A vida, como sempre, continua. Desconcertante, poética, cruel e ainda assim… viva.
Crônica escrita sob o sol poente de Japaratuba, onde cada notícia é lida com os olhos da alma e a tinta do coração.




