CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 01 de julho de 2025
Julho chegou repleto de notícias .
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Julho amanheceu com o pé esquerdo calçando chinelo de hospital. O mês mal abriu os olhos e já tropeçou em tosses infantis, febres saltitantes e termômetros em agonia. Em Sergipe, os ventos que costumavam soprar milho assado e pamonha no mês passado agora sussurram síndromes gripais como se fossem versos trágicos de uma ópera mal ensaiada.
O povo sergipano, que já estava acostumado a enfrentar dengue, calor e promessas políticas, agora vê seus pequenos guerreiros — crianças de peito e coragem — sendo internados com falta de ar e olhos marejados. A Secretaria de Saúde anunciou a contratação de leitos de UTI pediátrica. É como se chamássemos reforço de cavaleiros medievais para um castelo em chamas — só que, neste caso, o castelo é de pelúcia e os cavaleiros usam jaleco branco.
Mas nem tudo é febre e lamento. Como quem oferece guarda-chuva depois da tempestade, o Estado decidiu vacinar seus filhos contra a meningite com a pomposa vacina ACWY. Nome pomposo, efeito promissor. De A a Y, falta só o Z para vacinar contra o Zé Ninguém que nos governa mal em tantos cantos do país. A esperança chegou embalada em seringas, e o choro do bebê virou poesia imunológica. Que seja doce, ainda que salgado.
Enquanto Sergipe cura seus males com soro, o Brasil prepara sua armadura. Lula acionou os cavaleiros do Planalto — leia-se Forças Armadas — para guardar as muralhas da cúpula do Brics no Rio de Janeiro. De terça a quarta, o Exército descerá os morros da retórica e subirá a rampa das formalidades, garantindo que, no Museu de Arte Moderna, não haja nenhuma arte moderna demais. Afinal, quando os Brics se reúnem, não se serve nem pedra nem tijolo: serve-se diplomacia requentada com pitadas de interesse econômico e molho de hipocrisia.
E, como se fosse pouco, do outro lado do hemisfério, o Tio Sam resolveu brincar de São João fora de época. Um depósito de fogos de artifício nos Estados Unidos virou espetáculo de luz e fumaça, uma queima involuntária de ilusões armazenadas. Explodiram sonhos coloridos, rojões de dólares e talvez até algumas cláusulas de segurança. O fogo subiu aos céus como prece ao contrário. Ninguém ferido, dizem — mas quem confia em notícias que saem chamuscadas das brasas do capital?
O mundo virou um picadeiro de tragédias com nariz de palhaço. Crianças em UTI, soldados em missão diplomática e fogos explodindo sem festa. E nós, espectadores dessa ópera circense, seguimos no picadeiro da vida, torcendo para que o próximo ato não envolva um leão solto ou um mágico desaparecendo com nossa esperança.
Julho só começou. Mas já chegou com cara de agosto.




