CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de junho de 2025

O giro de notícias do dia de São Pedro

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de junho de 2025
Publicado em 30/06/2025 às 0:50


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

No teatro da vida cotidiana, o domingo amanheceu de cortinas abertas e bastidores expostos. Junho começa a se despedir com ares de espetáculo inacabado, desses que terminam no susto, com atores em cena sem saber se era hora de aplaudir ou correr. O Brasil, como sempre, flutuava entre o drama e a comédia, entre o palco do Prouni e o picadeiro da Paulista.

Comecemos pelos sonhos — que são as flores que brotam mesmo no asfalto quente. O Prouni abriu suas portas como uma flor de esperança num jardim cercado por muros altos. Foram mais de 211 mil pétalas distribuídas entre 887 canteiros privados de saber, regadas com suor de quem acredita que a educação é a única bomba atômica que salva em vez de destruir. A juventude correu para consultar bolsas como quem consulta o horóscopo: esperando que a sorte esteja ao lado da luta. E ali, entre cursos, números e siglas, brilhou a utopia de um Brasil onde o diploma não seja só um papel emoldurado na parede, mas uma ponte sobre os abismos da desigualdade.

Enquanto os estudantes sonhavam com aulas e apostilas, um outro tipo de lição se desenrolava na Avenida Paulista: a aula de teatro político, com Bolsonaro de protagonista. No palco da desinformação e da saudade do porrete, 12,4 mil figurantes batiam palmas para um roteiro cansado. A USP contou com drones, mas talvez precisasse de lunetas poéticas para enxergar que ali, entre bandeiras e bravatas, o Brasil assistia a um replay de um filme velho com legendas distorcidas. Era como se Dom Quixote voltasse montado num cavalo de pau, jurando enfrentar moinhos de papelão.

A ironia? A mesma multidão que grita contra o “sistema” parece nem perceber que o sistema está montado como circo… e que os palhaços, por vezes, são o próprio público.

E por falar em sistema, o PAC — esse velho guerreiro das promessas — anda mancando com o orçamento costurado com linha de carretel vazio. As obras, vitrines do governo, viraram espelhos rachados: mostram a imagem idealizada de um Brasil em construção, mas refletem a dura realidade de um país com cimento caro, verba curta e paciência em frangalhos. O arcabouço fiscal, que era pra ser o alicerce, virou camisa de força. E o Brasil, esse pedreiro de sonhos, vê seus tijolos amontoarem-se ao lado de placas de “obra parada”.

Mas nada se compara ao silêncio ensurdecedor vindo do Oriente Médio, onde o Irã, com olhos de quem já cansou de blefar, ameaça enriquecer urânio como quem prepara uma receita de fim de mundo. A ONU se alarma, Trump discorda, e o planeta gira no compasso de um barril de pólvora prestes a estourar. Enquanto os líderes jogam xadrez atômico, os peões — nós — continuamos rezando para que a próxima jogada não nos tire o tabuleiro.

E assim termina o domingo: entre bolsas de estudo e bombas nucleares, entre atos de fé política e obras inacabadas. O Brasil fecha o mês como quem fecha um livro em que as páginas foram rabiscadas por muitas mãos, algumas sujas de tinta, outras de sangue, outras apenas de suor.

Que venha julho, com seus ventos frios e esperanças quentes. Porque, apesar de tudo, seguimos crendo que, entre a Paulista e o Prouni, há um país que ainda quer aprender, construir e amar — mesmo que, às vezes, tenha que estudar à luz de velas enquanto espera que o PAC conserte o poste.

E se a educação é uma semente… que seja lançada mesmo no concreto rachado. Pois até o asfalto, se tiver coragem, um dia vira jardim.