CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 26 de junho de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Respeitável leitor, abramos o picadeiro da realidade e o pano da paciência, porque o espetáculo informativo desta quinta-feira é digno de aplausos… ou vaias. Preparem seus corações, pois os palhaços do poder estão em cena, os malabaristas da justiça giram suas togas no ar, e o povo — claro — é o trapezista que voa sem rede, sem plano de saúde e com a conta de luz acesa em desespero.
No circo da saúde sergipana, o picadeiro virou pronto-socorro sem gaze. O MPF e o MPE decidiram vestir as capas de justiceiros e entraram com ação civil pública contra o governo do estado por um espetáculo de descumprimentos em contratos da saúde. Parece que prometeram curar, mas entregaram curativos vencidos. O povo, na fila do SUS, é o palhaço que ainda acredita que o mágico virá com a solução. Spoiler: o mágico foi embora com a verba.
E falando em mágica de mau gosto, o Ministério Público de Sergipe, em parceria com a Bahia, resolveu abrir a cortina e expor o truque dos concursos públicos fraudados. Uma operação de bastidores revelou que, enquanto uns estudavam até cair, outros passavam voando nos concursos… com o tapete mágico da trapaça. Sonhos foram vendidos no mercado negro da esperança, e a meritocracia… ah, essa virou piada de stand-up.
Enquanto isso, do outro lado do planeta, Juliana, uma jovem brasileira de 26 anos, encontrou seu destino na trilha de um vulcão indonésio. Uma vida interrompida entre abismos e silêncios. A tragédia acendeu não só a dor, mas a vergonha: o governo brasileiro, até então, lavava as mãos diante dos corpos de seus filhos perdidos no exterior. Foi preciso uma morte abalar montanhas para que Lula prometesse revogar o decreto da frieza. Porque, às vezes, só a morte consegue furar a burocracia.
E por falar em fogo, não faltou combustível na tragédia urbana: um ônibus pegou fogo em plena Zona Norte de Aracaju. Ainda bem que não houve feridos — só o susto, a fuligem e o eterno “será substituído” da SMTT. Sem prejuízo à população, disseram. Mas será que já contabilizaram o prejuízo da dignidade de quem depende de ônibus e só ganha fumaça?
A luz no fim do túnel pode ser… um apagão. Especialistas alertam que, se o governo e o Congresso não ajustarem os gastos, o Brasil poderá mergulhar na escuridão. Ou seja: ou você paga mais pela conta de luz, ou dança no escuro. O Congresso resiste a cortar privilégios, mas não hesita em colocar o fio desencapado no bolso do consumidor. Prepare o candeeiro, o lampião, a vela. A energia vai pesar mais que o silêncio da justiça.
E então entra o Banco Mundial com sua receita de sopa rala: cortar gastos sociais, tributar combustível e enfeitar com reforma. É a dieta da austeridade: os ricos fazem jejum de lucros (só que não), e os pobres comem esperança crua. É como sugerir dieta para quem já não tem pão.
No palco internacional, a novela do urânio segue com reviravoltas: o Irã diz que escondeu antes, os EUA dizem que destruíram depois, Trump diz que não sabe de nada e nós… nós já não sabemos nem de onde virá o próximo susto. Enquanto isso, o embaixador do Irã anuncia a suspensão das inspeções da ONU. É como se o árbitro saísse do jogo e deixasse os jogadores chutarem bombas atômicas livremente.
Mas nem só de tragédia se faz o dia. Um raio de luz brilhou em Hollywood: Fernanda Torres e outros brasileiros foram convidados para a Academia do Oscar. Entre trilhas sonoras da dor, a arte ainda resiste. Aplaudimos de pé aqueles que, mesmo com orçamento apertado e câmeras improvisadas, conseguem contar nossas histórias ao mundo. Porque, se o Brasil parece uma tragédia shakespeariana, que ao menos sejamos indicados à categoria de Melhor Drama Estrangeiro.
E no final da sessão, uma nevasca no Chile prende turistas brasileiros, como se o mundo dissesse: “voltem pra casa, mas não sem antes sentir o frio da impotência”.
Assim termina mais um capítulo do romance tragicômico chamado Brasil. Um país onde a justiça entra em cena com atraso, o ônibus pega fogo, o urânio viaja, a saúde tropeça, e a conta de luz vem com susto embutido.
Mas ainda temos a crônica.
Ainda temos a arte.
Ainda temos a palavra.
E enquanto houver palavra, haverá resistência.
Com carinho crítico e emoção metafórica,
Professor Antonio Glauber Santana Ferreira
Japaratuba – SE, 26 de junho de 2025




