CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 22 de junho de 2025
Publicado em 23/06/2025 às 15:25


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No palco do mundo, o domingo amanheceu com as cortinas abertas e o cenário montado entre crateras, drones e desvios. O planeta girava, mas parecia cambalear, como um bêbado de geopolítica tropeçando entre vulcões, petróleo e fundações inacabadas.

Em Aracaju, os condomínios gritaram, não por insônia existencial, mas pelo insuportável concerto de britadeiras que desafina o cotidiano de quem comprou paz e ganhou poeira. O Complexo Viário Maria do Carmo, ironicamente batizado com nome de santa política, cava seus alicerces como quem procura um tesouro no subsolo da paciência alheia. Diz a Sedurbi que está “dentro do cronograma”. Mas o cronograma, como sempre, parece ser escrito com tinta invisível e prazos em braile. Enquanto isso, os moradores tentam respirar entre um buraco e outro — na rua e no bolso.

Já em Itabaiana, dois ilustres protagonistas da saga “Ouro de Tolo” tentaram tirar férias do crime em plena vitrine da legalidade: uma joalheria de shopping. O problema é que esqueceram que segurança hoje tem olhos de águia e dentes de leão — e não perdoa. Foram presos. E a manchete é quase uma poesia: “organização criminosa especializada em furtos a shoppings”. O Brasil, definitivamente, exporta talentos — até para o lado sombrio da força.

Do outro lado do mundo, o Itamaraty resolveu tirar a gravata e subir no palanque diplomático: “condena com veemência” o ataque dos EUA ao Irã. Ah, se indignação verbal virasse escudo, estaríamos todos protegidos sob um manto de adjetivos. Mas enquanto a retórica dança balé nos gabinetes, a realidade joga pedras nas janelas do mundo: há risco de contaminação nuclear, civil em perigo, e um planeta que não sabe mais o que fazer com tanto ódio travestido de geoestratégia.

E no meio da confusão, o Estreito de Ormuz ameaça fechar as portas. Sim, aquele corredor estreito por onde passa boa parte do sangue negro da Terra — o petróleo — está sob risco de ser trancado com cadeado iraniano. Resultado: o preço do barril sobe, e a gasolina, aqui no Brasil, sorri com dentes afiados nas bombas dos postos, pronta para sugar o último centavo do trabalhador que só queria ir de casa ao trabalho sem hipotecar o almoço.

Falando em calor e aventura, uma brasileira caiu numa trilha na Indonésia, no sopé do vulcão Rinjani. Juliana Marins, mochileira dos sonhos e dos precipícios, aguarda há 48 horas por ajuda. Agora, drones térmicos sobrevoam as nuvens da incerteza. Entre o risco e a esperança, há um abismo que não cabe em nenhuma selfie. Que ela seja resgatada — não só do vulcão, mas do esquecimento costumeiro com que tratamos nossos viajantes quando algo dá errado.

Enquanto isso, o treinador da seleção brasileira de handebol escapou do Irã. Antônio Guerra Peixe, nome que parece personagem de literatura de cordel, virou enredo real de fuga. Ia para Dubai, não conseguiu, agora está na Armênia — quase um roteiro de filme B sobre esportes, diplomacia e adrenalina. A bola do handebol ainda gira, mas por pouco não virou granada.

No meio desse redemoinho de fatos, o Brasil é um barco que navega em marés de lama e lava, entre joias e jazidas, entre a poeira do progresso e a fumaça das guerras. A vida, por aqui, é feita de manchetes e metáforas. E nós, leitores de domingo, seguimos remando no jornal como quem tenta remar contra o caos — com um remo quebrado e outro emprestado pelo bom humor.

Que Deus abençoe os que furam buracos sem furar esperanças. Que proteja os que caem e os que se levantam, os que tentam voar com drones e os que sonham com pontes onde ainda há crateras.

E que, no fim das contas, sejamos mais Juliana do que joalheiro — mais trilha do que tropeço, mais amor do que ataque.