CRÔNICA ESPORTIVA
Crônica Esportiva: “No Cemitério dos Favoritos, a Estrela Solitária Brilhou Mais Forte”
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Torcedor do Club Sportivo Sergipe e do São Paulo Futebol Clube
Quem diria? O Botafogo, o velho e calejado Botafogo, aquele mesmo que nos acostumamos a ver tropeçando nos próprios fantasmas, resolveu virar roteiro de cinema. E não foi qualquer filme. Foi um épico rodado no coração da Califórnia, no lendário Rose Bowl, com direito a drama, superação e um final digno de Oscar.
Diante do Paris Saint-Germain — aquele time que parece uma constelação de cifras e estrelas — o Botafogo foi mais que um clube brasileiro: foi um grito sul-americano, um manifesto contra a lógica do futebol moderno. O placar de 1 a 0 não foi só um número: foi poesia em preto e branco, escrita com suor, raça e um chute de Igor Jesus que desviou da lógica e beijou a eternidade.
Eu, torcedor do Sergipe e do São Paulo, vibrei como um botafoguense nato. Porque há vitórias que extrapolam os escudos. São triunfos da alma, da esperança, da América Latina que resiste, do futebol que ainda pulsa no compasso do coração e não no tilintar das moedas.
Renato Paiva, o maestro dessa orquestra de guerreiros, não armou um time, armou uma muralha. O PSG, com toda sua pompa, bateu e voltou. Bateu e se perdeu. Bateu e se calou. Os franceses, acostumados a tocar bola como se dançassem um balé, se viram cercados por dois, três, às vezes quatro botafoguenses com a fome de quem quer escrever história.
Foi um massacre… defensivo! Uma obra-prima de como se defender com dignidade, sem abrir mão da ousadia. Porque quando a bola sobrou, o Fogão não hesitou. Atacou com inteligência, como quem sabe que a oportunidade passa rápido — e é preciso estar pronto para o abraço com o destino.
Igor Jesus, nome bíblico e chute certeiro. Foi dele o gol que cravou o PSG no “cemitério dos favoritos”, como poeticamente disse Renato Paiva. E que cemitério bonito de se ver! Um jardim onde florescem os desacreditados, os improváveis, os eternizados.
Deixando a rivalidade de lado — porque o momento exige grandeza — eu torço sim pelos quatro brasileiros que estão na Copa do Mundo de Clubes. Porque o futebol é paixão, é disputa, mas também é irmandade. Hoje, somos todos Botafogo. Ontem foi o Glorioso. Amanhã pode ser qualquer outro.
E se o futebol é o esporte dos deuses, ontem eles usaram a camisa alvinegra. Porque, no teatro das grandes batalhas, o impossível virou gol. E o Botafogo, aquele que tantos já enterraram, saiu do túmulo dos prognósticos para se eternizar na galeria dos imortais.




