ARTIGO
Francisco Cuoco: Adeus a um Ícone da Dramaturgia Brasileira
Por Antônio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba/SE
No dia 19 de junho de 2025, o Brasil se despediu de um dos maiores nomes da teledramaturgia nacional: Francisco Cuoco. O ator faleceu aos 91 anos, em São Paulo, deixando um legado artístico que atravessa gerações e permanece vivo na memória afetiva dos brasileiros.
Internado há cerca de 20 dias no Hospital Albert Einstein, Cuoco enfrentava complicações de saúde relacionadas à idade, agravadas por infecções. A notícia de sua morte foi confirmada pela família, que o acompanhava de perto nesse momento delicado. Discreto, porém imenso, Cuoco partiu como viveu: com elegância, serenidade e uma trajetória marcada pela excelência.
Da Pauliceia aos Estúdios da Globo
Francisco Cuoco nasceu em 29 de novembro de 1933, em São Paulo. Formado em Direito, trocou os tribunais pelo palco, e foi nos estúdios da então jovem televisão brasileira que ele fincou sua bandeira. Seu talento natural, voz imponente e presença magnética logo o transformaram em galã e protagonista de grandes obras da TV Globo.
Entre suas atuações mais memoráveis estão os papéis nas novelas Selva de Pedra (1972), Pecado Capital (1975) e O Astro (1977), esta última lhe rendeu o reconhecimento nacional definitivo. Com quase 70 anos de carreira, Cuoco transitou entre o drama, o romance e a comédia com a leveza de quem nasceu para interpretar o mundo.
Um Ator de Muitas Faces
Francisco Cuoco foi mais do que um rosto bonito da televisão. Ele foi a voz do romantismo, o olhar da dúvida, o gesto da paixão. Do teatro ao cinema, não houve personagem que não ganhasse alma sob sua interpretação. E mesmo nas últimas décadas, já longe dos holofotes mais intensos, ainda encantava o público com participações especiais e entrevistas nostálgicas.
Recebeu diversos prêmios, como o Troféu Imprensa e a honraria da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), mas seu maior prêmio foi o carinho do povo, que o via como um símbolo da era de ouro da televisão brasileira.
Um Adeus que Ecoa
Com a morte de Francisco Cuoco, encerra-se um capítulo da história da dramaturgia brasileira. Seu nome estará para sempre inscrito entre os grandes mestres da atuação, ao lado de nomes como Tarcísio Meira, Fernanda Montenegro e Lima Duarte. Sua partida deixa um vazio nos palcos, mas uma herança imortal nos corações.
Num tempo em que tudo parece efêmero, Francisco Cuoco nos ensinou o valor da permanência, da entrega artística e da dignidade em cena. Que seu descanso seja tão nobre quanto seus papéis.




