CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 14 de junho de 2025
Publicado em 15/06/2025 às 14:18


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Na alvorada do dia 14 de junho de 2025, a Terra continuava a girar, mas com o coração aos tropeços e a esperança de muletas. O mundo acordou com o travesseiro manchado de lágrimas e a televisão cuspindo fumaça, sangue e estilhaços de promessas não cumpridas.

Logo cedo, soubemos que um secretário municipal de Aracaju, senhor Dilermando, trocou os abraços de Sergipe por um bunker israelense. Deixou a tapioca da manhã para virar figurante em cenário de guerra. Em visita “técnico-diplomática”, caiu direto na trilha sonora dos mísseis. Nem a maresia do Atalaia o livrou da tensão em Teerã.

Dilermando, que partiu talvez para buscar inovação, encontrou o manual prático do apocalipse. E enquanto ele buscava desenvolvimento econômico, tropeçou no desenvolvimento bélico. Foi parar no subsolo da história, literalmente. Uma crônica viva da ironia geopolítica: do Pôr do Sol de Aracaju ao Pó do Céu do Oriente Médio.

Israel e Irã continuam, como dois galos enfurecidos, bicando-se sobre um terreiro nuclear. E o mundo, feito galinha choca, observa com medo de perder os ovos da paz. De um lado, foguetes. Do outro, retaliações. No meio, corpos. Muitos corpos. Vidas interrompidas como frases sem ponto final. Teerã chora suas crianças, Israel enterra seus mortos, e o planeta assiste, anestesiado pela rotina do horror.

A diplomacia virou pó de estrela. As conversas nucleares entre EUA e Irã, que antes tentavam costurar remendos na roupa rasgada da paz, foram canceladas. Omã, mediador de esperanças, anunciou o fim das conversas como quem diz: “acabou a festa, apaguem as velas”. E o mundo escureceu mais um pouco.

Enquanto isso, no Brasil, o povo continua alimentando o sonho de ficar milionário. Um bolão do Paraná faturou R$ 205 mil, outras 293 apostas encheram o bolso com R$ 1.500 cada. Mas ninguém acertou os seis números da Mega-Sena. O prêmio acumulou em R$ 110 milhões, e a esperança também: os brasileiros, em meio à guerra lá fora e aos buracos aqui dentro, continuam apostando na sorte como quem joga pedrinhas no poço dos desejos.

Ah, o Brasil… sempre com um pé no caos e outro na lotérica. Enquanto o mundo joga bombas, a gente joga números. É o jeito brasileiro de tentar explodir a miséria com fé, não com pólvora.

A verdade é que o planeta está doente. Sofre de uma virose chamada vaidade, tem febre de poder e espirra mísseis ao menor sinal de desacordo. E a humanidade, ao invés de procurar cura, parece viciada na doença.

Hoje, a crônica é feita de poeira, preces e perplexidade. Porque quando crianças viram estatísticas e líderes trocam palavras por projéteis, o silêncio da humanidade ensurdece mais que o estouro das bombas.

Mas quem sabe… entre um bunker e uma aposta, ainda sobre algum verso. E que esse verso, mesmo ferido, seja abrigo. Que a poesia, mesmo com escombros nos olhos, continue sendo farol.