CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 10 de junho de 2025
Publicado em 11/06/2025 às 14:35

As notícias do dia 10 de junho de 2025

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

O dia amanheceu com o sol cuspindo labaredas de sarcasmo sobre a terra seca de esperanças. No reino de Aracaju, a empresa Ramac ergueu seu estandarte e iniciou a coleta de lixo, prometendo limpar a sujeira que já virou tapete vermelho para as moscas diplomatas que negociam a decomposição dos sonhos. Quem sabe, no meio dos sacos pretos e das latas boquiabertas, encontrem o coração amassado de quem ainda acredita no poder de um varal de promessas.

No gramado sagrado da Neo Química Arena, o Brasil ganhou por 1 a 0 do Paraguai como quem tira um prego de uma cruz. Selou o passaporte para a Copa do Mundo de 2026, mas deixou no ar o perfume agridoce de um triunfo que parece festa de casamento sem noiva: falta brilho, falta noção, falta o samba que embala a alma do nosso povo. A bola, redonda como a ilusão, rolou de pé em pé, mas quem comemorou mesmo foram os vendedores de sonhos instantâneos e as narrativas que se alimentam do suor alheio.

Enquanto isso, no palco tragicômico da justiça, o sergipano Luciano dos Santos provou o gosto amargo de ser confundido com um criminoso. Preso por engano, foi solto como quem desperta de um pesadelo. O cárcere que o abraçou sem convite é metáfora viva de um país onde a lei, às vezes, usa vendas de carnaval para brincar de cegueira. Ali, a liberdade virou moeda de troca, e o nome de um homem, uma sentença mal escrita.

E falando em sentença, o ex-presidente Bolsonaro desfilou pela passarela de toga e microfones, diante do ministro Alexandre de Moraes, que, como um juiz de boxe, controla os rounds verbais dessa luta que não tem fim. Bolsonaro negou as acusações como quem recusa a última dose de veneno: com um sorriso de canto de boca e as mãos limpas de tudo, até das próprias palavras. Disse que suas reuniões com militares eram apenas ensaios de ópera – desafinada, é claro – e que jamais planejou impedir a posse de Lula, embora as retóricas inflamadas ainda tremulem como bandeiras sujas ao vento.

E assim seguimos, meus caros leitores: entre lixos recolhidos e lixos reciclados pela política, entre passes de futebol e tropeços judiciais, entre a liberdade confundida e a verdade despida. O Brasil dança essa quadrilha de ironias com passos incertos, tropeçando nos próprios cadarços e acreditando que o próximo acorde será o início de um novo forró.

Mas enquanto a banda não toca e o povo não descansa, fica o convite para não desistir do ensaio. Porque, no fundo, cada manchete de jornal é um espelho rachado onde enxergamos o nosso próprio reflexo. E, quem sabe, no próximo amanhecer, a luz do sol nos traga não apenas calor, mas também a claridade de um país que se recusa a se render à lama dos desenganos.