CONTO
Um Sonho Junino
Na noite mais estrelada de junho, Pedro adormeceu ao som das zabumbas e do rufar dos tambores que vinham lá de longe, onde a fogueira acesa parecia querer tocar o céu. Ele fechou os olhos e sonhou com uma festa tão grandiosa que nem o mais vaidoso São João ousaria imaginar.
No seu sonho, o arraial era um reino encantado. As bandeirolas eram feitas de estrelas cadentes, penduradas no céu para iluminar cada passo dos dançarinos. A fogueira, imensa e dourada, dançava como se fosse viva, crepitando histórias antigas de coragem e amor.
Pedro estava vestido de matuto, com a camisa de xadrez que a mãe remendara com carinho. Nos pés, botas mágicas que faziam cada sapateado ecoar como trovão. Ele dançava quadrilha com Rosa, a menina mais bonita da vila, cujas tranças pareciam ter guardado todo o perfume do campo.
De repente, no meio da quadrilha, o céu abriu um clarão e desceu um balão gigantesco. Ele tinha as cores do arco-íris e carregava, ao invés de fogo, uma chuva de doces e fitas coloridas. As crianças corriam para pegar as guloseimas que caíam do céu, enquanto Pedro e Rosa se olharam, rindo de alegria.
Mas o melhor ainda estava por vir. No final da festa, Pedro subiu no alto da fogueira e, de lá, viu todo o povo da vila dançando unido, como se o mundo inteiro tivesse se tornado um só coração pulsante ao som do forró.
Quando Pedro acordou, o dia já clareava e a festa real ainda estava para começar. Ele levantou-se com o coração cheio de esperança, pois sabia que, mesmo quando a sanfona se calasse e o balão caísse, dentro dele sempre haveria um arraial iluminado — um sonho junino que jamais se apagaria.
Autor: Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE




