CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de junho de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 08 de junho de 2025
Publicado em 09/06/2025 às 7:02

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE

No jardim de junho, onde as flores do inverno brotam tímidas e as esperanças tremulam ao vento, a notícia de uma menina de apenas nove primaveras, ceifada pela foice afiada da dengue, rasgou o coração de Tobias Barreto como um trovão em tarde mansa. E assim, o silêncio da cidade ecoou mais alto do que as ladainhas de políticos que vendem promessas como se fossem feijões mágicos.

Em meio a essa tristeza que se arrasta como sombra, as empreendedoras de Sergipe costuram sonhos verdes em teares de biocosméticos. Elas, quais alquimistas modernas, transmutam pétalas e raízes em bálsamos que respeitam a pele e reverenciam a terra. Um bálsamo para os poros e um afago para o planeta, um canto de sereia que seduz consumidores cansados das toxinas enfeitadas de arco-íris sintéticos.

Enquanto isso, na cúpula do poder, Haddad e sua trupe afinam as cordas do IOF como violinistas nervosos em orquestra de crise. O aumento do tributo vem como tsunami fiscal, prometendo afogar ainda mais quem já se afoga no mar revolto dos boletos. É a dança dos cifrões que rodam ao som de um governo que tenta “recalibrar” o bolso do povo — e sempre aperta mais o laço no pescoço do trabalhador.

Do outro lado do Atlântico, a chama da revolta crepita nas ruas de Los Angeles. Carros viram tochas, manifestantes — imigrantes em busca de chão — erguem cartazes como estandartes de dignidade. E Trump, em seu púlpito de tweets inflamados, chama de “multidões violentas” aqueles que apenas gritam por um pouco de ar. Entre bombas de efeito moral e faíscas de esperança, o conflito se tornou um espetáculo pirotécnico de injustiça e coragem.

Ah, como o mundo parece um palco trágico onde a cortina nunca desce! Em cada esquina, um suspiro de dor; em cada beco, um lampejo de resistência. Somos espectadores e atores, dançando entre a poesia das pequenas alegrias e a tragédia das grandes indiferenças.

E no coração desta crônica, fica o chamado: que a morte de uma criança pela picada traiçoeira de um mosquito seja mais do que estatística — que seja o estopim de consciência. Que os biocosméticos artesanais floresçam como exemplo de economia que cuida e não destrói. Que a fúria fiscal seja desarmada pela ternura social. E que em Los Angeles, e em todos os cantos do mundo, o grito por dignidade não seja engolido pelas chamas do autoritarismo.

Pois, no final das contas, a vida pulsa mais forte do que o imposto, mais forte do que o veneno, mais forte do que o silêncio dos poderosos. E enquanto houver quem transforme dor em poesia e quem costure esperança em meio às ruínas, ainda haverá verso para encantar a alma e coragem para recomeçar o amanhã.