CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 31 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
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Maio de 2025 fecha as cortinas como um velho ator exausto após a última cena, deixando um rastro de suspiros e aplausos contidos. E já se inscreve nos livros de História — onde as manchetes são as lantejoulas que piscam para quem ousa ver além das cortinas de fumaça.
Na ribalta da educação, o novo campus da UFS em Estância surge como um jardim de esperanças: seis flores brotando no asfalto acadêmico, regadas por sonhos e adubadas com promessas. Biotecnologia, Ciência dos Dados, Engenharia de Produção, Engenharia Têxtil, Gestão Ambiental e Gestão e Empreendedorismo — são as pétalas que se abrem para quem deseja colher um futuro melhor. Mas cuidado: o solo da educação pública, por vezes, tem rachaduras causadas pela seca de recursos e pelos ventos de descaso. Que a UFS regue essas sementes com a água da perseverança e do compromisso!
Enquanto isso, no campo verde da bola, o Paris Saint-Germain, armado como um exército de Napoleão sem medo de Waterloo, trucidou a Inter de Milão como quem pisa sem dó nas uvas da taça europeia. Um 5 a 0 retumbante, como trovões que ecoam pelos becos de Paris. O jovem Doué, com seus 19 anos de bravura e audácia, foi o maestro dessa orquestra de toques precisos e gols ensurdecedores. A Champions League, que tanto fez o PSG chorar como criança órfã de troféus, agora repousa no colo dos franceses — mas ainda ecoam no ar as vozes dos críticos que perguntam: será que o dinheiro compra mesmo a glória ou apenas adia o destino?
Falando em destino, a ANAC resolveu aplicar um freio de arrumação nos aviões dos Correios — um corte seco como tesoura em papel molhado. As asas que antes levavam as cartas de amor e as faturas de cartão agora pairam em suspense, aguardando a liberação de um novo acordo logístico. É um voo interrompido que paira no ar como um suspiro de saudade: quem manda recado por carta, hoje em dia, é quase um poeta teimoso nadando contra a maré digital.
E por fim, como um corte de faca em meio ao pão nosso de cada dia, a tragédia em Gaza despeja sangue e lágrimas no prato já farto de desespero. Trinta e uma vidas ceifadas e cento e setenta e cinco feridos, enquanto a esperança se contorce como uma serpente ferida. Os bombardeios de cada lado são trovões que não cessam, trovões que não anunciam chuva, apenas a tempestade interminável do medo. E nós, meros espectadores, assistimos esse espetáculo sombrio sem aplausos — apenas com o nó na garganta de quem não quer ser cúmplice nem conivente.
Maio, pois, recolhe seus passos — e junho chega dançando quadrilha com bandeirinhas coloridas no céu, mas também carregando o fardo dos dias que o antecederam. O palco da vida segue, com suas cortinas que se abrem e fecham. E cada notícia do jornal de hoje é um ato dessa peça que chamamos de História.
Que cada um de nós seja ao menos um ator digno, que não esquece o texto principal: a luta pela vida, pela justiça e pela dignidade. Porque, no fundo, todos os noticiários são apenas capítulos da crônica maior que cada um escreve em si mesmo.




