CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de maio de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 29 de maio de 2025
Publicado em 30/05/2025 às 6:50


Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


Hoje, 29 de maio, é dia de reverenciar os geógrafos – aqueles poetas do espaço que, de mapa em punho, decifram o coração das paisagens e escutam os sussurros dos rios e das montanhas. Esses cartógrafos de sonhos não apenas traçam coordenadas, mas mapeiam também a esperança e a desilusão que correm pelas veias da Terra.

Enquanto isso, no cerrado em chamas, as formigas e os besouros parecem ter virado refugiados de guerra, abrigados nos escombros carbonizados de um mundo em brasa. A natureza, sempre tão generosa, nos dá lições de resiliência e resistência, mostrando que até as cinzas guardam a vida em seus porões secretos.

No Brasil das contas que não batem, mais de 250 mil declarações de Imposto de Renda em Sergipe já foram despachadas, como se fossem mensagens engarrafadas lançadas no mar burocrático. O recado é claro: quem ainda não fez, que faça logo, antes que os servidores digitais entrem em greve de bytes, e os bolsos do povo virem piada pronta.

No picadeiro do dinheiro de mentira, adolescentes brincam de banqueiros com notas falsas, como se o mundo fosse um grande jogo de tabuleiro onde a ética sempre perde a vez. Redes sociais viram rios turvos que arrastam contas bancárias e ilusões baratas, enquanto o futuro acena lá do outro lado da margem.

Ah, e a França – sempre tão chique e civilizada – agora decidiu que cigarro não combina mais com a brisa das praias e os risos das crianças nos parques. Quem insistir em baforar suas nuvens tóxicas pagará a multa salgada de R$ 867. Talvez seja a hora de trocar a fumaça pela brisa, o vício pela liberdade. Mas cuidado: os bares e cafés ainda são territórios livres para o balé das tragadas – um pequeno oásis de nostalgia para os pulmões teimosos.

E no Brasil do emprego que dança conforme a música, o desemprego recuou para 6,6%. Uma queda modesta, mas que já faz o coração de 941 mil brasileiros bater um pouco mais esperançoso. Sete milhões e trezentos mil continuam parados, é verdade – mas quem disse que a vida é uma linha reta? No compasso dos sonhos, o país segue em compasso de espera.

E assim, entre declarações e declarações – de renda, de amor, de indignação – seguimos, nós, geógrafos de todos os mapas, tentando entender as paisagens de um país que acorda todos os dias com o mesmo sol, mas carrega tantas sombras.

Que hoje, no dia do geógrafo, possamos olhar o mundo não apenas com as lentes do IBGE, mas com a ternura dos insetos que resistem ao fogo e com a lucidez de quem sabe que todo horizonte, por mais distante, cabe num olhar crítico e sensível.