CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 28 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
No tabuleiro tropical de um Brasil ora elétrico, ora febril, o dia 28 de maio foi uma panela de pressão de absurdos e avanços, onde a tampa quase voou pelos ares — se não fosse a mão do síndico segurando firme… ou tremendo.
Logo cedo, o Ministério Público de Sergipe decidiu que os carregadores de carros elétricos, esses totens do futuro que já nasceram enjaulados em garagens fechadas, devem respirar ar puro. Sim, o MPSE decretou que é hora de levar os plugs à praça, como se fossem ipês floridos da mobilidade verde. Quem quiser continuar a recarregar na sombra que arque com a responsabilidade — ou com o curto-circuito.
Sergipe, pequeno no mapa e gigante em ironias, vive um paradoxo de energia e apagão humano. Enquanto se debate sobre o lugar certo de carregar um carro, uma menina de apenas 11 anos, da Barra dos Coqueiros, foi desligada da vida pela meningite. Uma tomada que não foi verificada, uma prevenção que faltou, uma vacina que, talvez, tenha se atrasado no relógio da saúde pública. No Brasil da burocracia blindada e da lentidão eletrônica, morre-se do que já se sabia curável — e os carregadores ganham protocolo mais rápido que socorro.
Enquanto a infância desliga, os adultos religam desejos motorizados: a Honda Hornet voltou rugindo após mais de uma década. A naked, símbolo da liberdade sobre duas rodas e da pressa juvenil, reaparece ao custo de R$ 43.040 — um valor que, para muitos brasileiros, é mais distante que o dia em que a gasolina custará menos que um açaí. É curioso como o ronco da moto soa mais alto que o choro da mãe que perdeu sua filha. A vida, por aqui, tem escapamento esportivo: corre, acelera e, muitas vezes, capota nas curvas do descaso.
Mas o teatro da quarta-feira ainda reservava um último ato: Elon Musk, o mago dos foguetes e das frases que parecem ter saído de um biscoito da sorte envenenado, deixou o governo Trump. Sim, Musk abandonou o DOGE, um departamento que, de eficiente, tinha só o nome e, talvez, o meme da moeda canina. Saiu dois dias antes do previsto, talvez porque a realidade ali já tinha ultrapassado qualquer lógica de ficção científica.
E assim se passou o dia: um carro procurando tomada, uma criança perdendo a conexão com a vida, uma moto voltando das cinzas e um bilionário apertando o botão de ejetar. Tudo isso num país onde o poste às vezes quer mijar no cachorro — e o síndico é quem paga a multa.
No Brasil de 2025, o plugue é elétrico, mas a dor é arcaica. A motocicleta voa, mas a saúde pública anda de muletas. Musk sai voando em foguete e a menina da Barra dos Coqueiros é enterrada com o silêncio de um Estado surdo. O carregador precisa estar ao ar livre, sim. E as políticas públicas, quando é que saem da escuridão?




