CRÔNICA
Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 27 de maio de 2025
Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE
Era uma terça-feira que parecia ter sido esculpida à mão pelos deuses da ironia, da poesia e da tragédia. O sol nasceu meio sem jeito, escondido atrás de nuvens que cochichavam segredos sombrios. No palco da vida, a cortina se abriu para mais um ato — e, convenhamos, que ato!
No coração de Aracaju, o sino dobrou. Não era anúncio de missa de sétimo dia para os bons costumes, nem celebração de alguma promessa cumprida — era despedida. Monsenhor José Carvalho, aos 98 giros completos em torno do sol, decidiu que já tinha plantado fé, colhido almas e regado esperanças o suficiente. Deixou este plano terreno, talvez cansado de ver tanta gente rezar ajoelhada e viver de péssimos exemplos.
O Centro de Evangelização virou jardim de saudade. Três missas, três despedidas, três tentativas de dizer adeus sem dizer. O eco das orações parecia disputar espaço com o som das máquinas registradoras da conta de água — afinal, até a espiritualidade anda de mãos dadas com a tarifa social. A Iguá promete desconto, mas quem reza forte é o consumidor, pedindo que venha antes da fatura vencer.
Enquanto os anjos de Aracaju afinavam suas harpas, em Brasília os demônios da burocracia resolveram fazer cosplay de Papai Noel fora de época. O governo, que congelou bilhões como quem guarda sorvete no freezer, resolveu descongelar uns míseros R$ 400 milhões para as universidades federais. Milagre? Não. É só política mesmo. Dá-se com uma mão, tira-se com decreto na outra.
E se tem CPI, tem circo! A CPI das Bets virou série de comédia: o influencer Jon Vlogs fugiu mais que pecado em dia de procissão. Deu bolo nos senadores e postou stories diretamente de Orlando, mostrando que, no Brasil, até a vergonha às vezes tira férias internacionais.
Por falar em vergonha, o roteiro da tragédia de Mariana ganhou novo capítulo. O governo anunciou repasse de R$ 12 bilhões para o SUS nas cidades atingidas. Dez anos depois! A lama secou, os peixes morreram, os sonhos foram enterrados e, só agora, pinga um balde d’água na boca seca da reparação. É a justiça andando de andador, empurrada por promessas escorregadias.
Na novela do INSS, um plot twist: o governo estuda se paga todo mundo que foi lesado ou só quem for bater panela na porta do órgão. Justiça seletiva, igual àquela brincadeira da infância: “Quem não pediu, não ganhou”.
E eis que surge no tribunal da história uma confissão de meio golpe, meio não, meio talvez. Ex-diretor da PRF confirma ordem para blitz no Nordeste durante as eleições, mas — vejam bem — garante que não era pra barrar eleitor. Era só pra… fiscalizar a cidadania, talvez? Uma blitz contra a democracia, com direito a pneu furado na Constituição.
Enquanto isso, no Alvorada, Lula girava como pião zonzo — labirintite, dizem. Vertigem é pouco para quem governa um país que anda mais torto que rabisco de criança. Cancelou reuniões, mas segue despachando da cama, provavelmente deitado, olhando o teto e pensando: “Onde foi que eu amarrei meu jegue?”
Do outro lado do mundo, Trump resolveu brincar de Big Brother geopolítico. Mandou pausar os vistos de estudantes e quer investigar redes sociais dos solicitantes. Quem diria que o ‘tiozão do pavê’ virou também stalker internacional.
E, no capítulo “O mundo não cansa de surpreender”, um deputado australiano resolveu brindar sua despedida no Parlamento bebendo cerveja… dentro do próprio sapato. Isso mesmo. Shoey, eles chamam. Aqui a gente lava a alma na cachaça, lá eles lavam o sapato na cerveja. Cada cultura com seu ritual.
E como se o roteiro não tivesse drama o suficiente, a China acendeu um novo pavio no mapa das tragédias. Uma explosão em uma usina química levantou uma coluna de fumaça que parecia uma seta apontando pro céu, como quem avisa aos deuses: “Olha que a humanidade tá caprichando hoje, hein?”
No fim das contas, o dia 27 de maio foi uma aula magna da vida. Uma aula sobre o ciclo eterno de despedidas, descasos, espertezas, tragédias e ironias.
E o Monsenhor José Carvalho, lá do andar de cima, deve ter olhado pra tudo isso e pensado:
— Senhor… tem certeza que quer que eu fique aí assistindo tudo isso de camarote?
Porque se viver é um milagre, entender esse mundo… é missão pra santo.




