CRÔNICA

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de maio de 2025

Crônica do Professor Antonio Glauber sobre as notícias do dia 13 de maio de 2025
Publicado em 14/05/2025 às 12:53

Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE


No calendário das almas, o 13 de maio foi bordado com agulhas de fé, saudade e espanto. Foi dia de Nossa Senhora de Fátima, e ela veio — como sempre vem — com véu branco sobre os ombros, olhos marejados e mãos postas, tentando acalmar um mundo que ainda tropeça em sua própria incredulidade. Mas, nesse dia de aparição, quem desapareceu foram dois faróis humanos: Divaldo Franco e Pepe Mujica — dois gigantes que, em vida, preferiram a leveza dos lírios à arrogância dos tronos.

Divaldo, o embaixador da paz, partiu como um rio que silencia ao encontrar o mar. Foi-se entre preces, após 98 voltas ao redor do sol, levando na mala a sabedoria de mil palestras, o consolo de milhares de cartas, e a ternura de um coração que não se cansava de doar. Sua morte, embora anunciada pelos boletins médicos, chegou como quem arranca uma estrela do céu — a gente sabia que era chegada a hora, mas doeu mesmo assim.

No mesmo compasso triste, Pepe Mujica — o presidente que governava de Fusca e falava com a simplicidade de quem planta tomates — também fechou seus olhos. E a América Latina, tão órfã de líderes honestos, ficou ainda mais desamparada. Ele que recusou palácios e preferiu hortas; que doou salários e colheu dignidade; que enfrentou a doença como enfrentou a vida: com serenidade e teimosia. Pepe partiu, mas deixou o cheiro bom da resistência — aquela que brota em terra seca e insiste em florir.

Enquanto os bons vão embora, os maus se multiplicam como pragas em lavoura fértil. Em Capela, Sergipe, um vendedor de concessionária foi preso por aplicar golpes dignos de novela das nove. Um verdadeiro artista do estelionato, iludiu clientes com a habilidade de um mágico de má reputação. Prometia carros, consórcios e sonhos — entregava calote, decepção e boletim de ocorrência.

Ah, Brasil… terra onde o Fusca de Mujica vira piada e o golpista vira coach de motivação nas redes sociais.

Por falar em redes, elas foram sacudidas ontem por uma presença que mais parecia meme institucional: Virginia Fonseca, a influenciadora dos milhões de curtidas e zero argumentos, depôs na CPI das Bets. Diante de parlamentares com menos credibilidade que bilhete de rifa, ela desfilou sorrisos, palavras ensaiadas e uma maquiagem que nem o terremoto de 5,9 graus na Grécia conseguiria rachar.

Sim, até a terra tremeu neste 13 de maio! Creta, ilha dos deuses e das tragédias clássicas, sacudiu-se com a força de Poseidon. E, como tudo nesse planeta, o abalo se sentiu até no Egito, mas não deixou vítimas — apenas o lembrete de que o chão sob nossos pés é tão instável quanto o caráter de certos influenciadores.

Mas nem tudo são trevas. Um elefante-marinho-do-sul resolveu visitar as praias de Sergipe. Sim, um ser tão gigante quanto raro, deslizou por nossas águas como quem vem dizer: “Há vida além dos esgotos políticos e da lama moral.” O bicho virou celebridade local. Teve selfie, teve live, teve gente jurando que era sinal de Fátima, outros achando que era milagre de Divaldo ou até uma reencarnação de Mujica querendo tomar um banho sergipano antes de voltar ao plano espiritual.

No fim, o que sobra do dia é essa mistura estranha de fé e fraude, santidade e cinismo, terremotos reais e abalos morais. Nossa Senhora de Fátima talvez tenha olhado de cima e sussurrado: “Filhos, não se desesperem… mas também não se acomodem.”

E assim seguimos, entre perdas profundas, aparições oceânicas, farsas digitais e tremores continentais, tentando manter o equilíbrio no fio bambo que é viver nesse Brasil surreal, onde o mar visita a terra e a ética, às vezes, só visita de passagem.