CRÔNICA

Crônica : O Tempo

Crônica : O Tempo
Publicado em 03/05/2025 às 18:53

( Por Antonio Glauber Santana Ferreira – Japaratuba-SE )

O tempo… ah, o tempo! Esse velho andarilho de passos invisíveis, que anda descalço sobre as rugas do mundo e costura histórias no tecido invisível da existência. Ele é o melhor amigo nas manhãs de sol e o pior inimigo nas noites de saudade.

Dizem que o tempo é remédio, mas esquecem que é também veneno. Cura feridas com a paciência dos deuses, mas ao mesmo tempo rouba memórias com a frieza dos ladrões. É o jardineiro que faz nascer as flores e o coveiro que leva embora os sorrisos.

O tempo é o avô que conta histórias em sussurros e também o furacão que varre tudo que não é raiz. Ele nos embala quando crianças e nos apressa quando adultos. Quando somos jovens, zombamos dele. Quando envelhecemos, pedimos perdão.

É o pincel invisível que pinta cabelos de prata e apaga rostos no retrato da vida. Nas suas mãos, os dias são cartas embaralhadas: às vezes, um ás de esperança; outras, um curinga de perdas.

O tempo brinca de esconde-esconde: some quando mais precisamos dele e aparece correndo quando pedimos calma. É uma ampulheta com areia rebelde – escapa mesmo quando tentamos segurar com as duas mãos do coração.

Ele nos ensina, com dureza, que tudo tem hora para chegar… e hora para partir. Amores, amizades, pais, filhos, cachorros e até sonhos: todos são passageiros no trem do tempo, que parte sem aviso e nunca retorna ao ponto de origem.

Mas o tempo também é sábio. Ele nos oferece o agora – esse presente embrulhado em urgência. Se soubermos desembrulhar com carinho, podemos transformar o instante em eternidade. Porque, no fundo, o tempo não quer nos destruir – só quer nos lembrar que cada segundo é um tesouro e cada abraço, uma chance de vencer a despedida.

E assim seguimos, com ele como sombra e sol, como aplauso e silêncio. O tempo, esse mestre disfarçado de inimigo, continua a nos ensinar que, no fim, o que importa não é quanto tempo temos, mas o que fazemos com ele enquanto ele ainda dança conosco.

Porque o tempo não espera ninguém. Mas quem dança com ele com amor, nunca fica sozinho.